00h00 - sexta, 17/03/2017

Presidente da AA Campo Branco: "Cereais já não são rentáveis"

Presidente da AA Campo Branco: "Cereais já não são rentáveis"

Presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB) reconhece que há cada vez menos agricultores a produzir trigo e cevada na região. Para o futuro do sector, José da Luz Pereira defende a continuidade das agro-ambientais e a chegada de mais água à barragem do Monte da Rocha, venha ela do Alqueva ou de Santa Clara. "A água tem de vir. Daí que desafio os políticos a pensarem a longo prazo e façam valer a sua opinião junto do poder central", diz em entrevista ao "CA".

Dados recentes apontam que a produção de cereais de Inverno em Portugal na campanha 2016-2017 vai ser a menor dos últimos 30 anos. Essa realidade também se verifica no Campo Branco?
Sim, consideravelmente! Quando nos referimos ao trigo e à cevada, a área tem vindo a diminuir ao longo dos anos e o ano que passou foi aquele em que verificou a menor área semeada.

Isso deve-se a quê?
Ponto um: às condições climatéricas. Ponto dois: ao aumento substancial dos factores de produção. E ponto três: à redução do preço do cereal no mercado nacional.

Ou seja, os cereais de Inverno deixaram de ser rentáveis para os agricultores?
Deixaram de ser rentáveis e aliciantes. Daí que o agricultor opte por fazer algum cereal para grão – aveia, triticale – e faça sementeiras destinadas à alimentação animal.

Perante este quadro, a produção de cereais no Campo Branco será no futuro ainda menor?
Sim, acho que sim… O cereal que se semeia é para alimentar a pecuária.

Noutras zonas da região os cereais têm sido substituídos pelas culturas de regadio e pela vinha. No Campo Branco quais são as alternativas?
As nossas alternativas não são muitas… Daí que o agricultor tradicional esteja a fazer melhoramentos de pastagens para alimentar a pecuária em extensivo. Não é bem uma alternativa, porque isto faz-se desde sempre nesta zona. Mas o que se faz mais agora é produzir mais forragens, pastagens e fenos, para evitar que os animais tenham de sair da exploração.

E a pecuária? Ainda tem margem de crescimento nesta região?
Temos vindo a apresentar números estacionários. Temos perto de 145 mil cabeças de pequenos ruminantes (ovelhas e cabras). E de bovinos para reprodução temos entre 24 e 25 mil.

Os animais que saem do Campo Branco destinam-se ao mercado nacional ou há exportação? Ultimamente tem-se falado muito de ovinos e bovinos exportados do Alentejo para Israel...
Há muitos anos que grande parte dos nossos ovinos vão para Espanha. Este ano houve algumas exportações para Israel, mas não tiveram assim um grande significado no preço dos animais. Pensávamos que pudesse haver algum reflexo no preço à saída dos animais da exploração de origem, mas a verdade é que isso não aconteceu.

No início de 2016 afirmou que o Plano Zonal de Castro Verde tinha sofrido um retrocesso. Um ano depois mantém a mesma opinião?
Disse que tinha sofrido um retrocesso na medida em que não eram admitidas mais candidaturas. E na altura também as candidaturas que tinham acabado não podiam ser renovadas. Entretanto isso foi alterado e todas as candidaturas que vinham de trás foram prolongadas. Por aí o retrocesso acabou por ser mais suave! Não foram é admitidas mais novas candidaturas, porque as verbas destinadas às agro-ambientais estão completamente esgotadas.

Que prejuízos causa essa situação à agricultura no Campo Branco?
Esta região vai depender futuramente em grande medida das agro-ambientais. E a nossa grande preocupação é que no próximo quadro comunitário as verbas [para as agro-ambientais] sejam reduzidas. Isso ainda está por confirmar, mas não deixa de ser preocupante. E com tudo o que está a acontecer neste momento, não sabemos qual será a disponibilidade dos países para apoiar estas medidas agro-ambientais.

Outro problema que os agricultores do Campo Branco têm sentido na "pele" nos últimos anos é a seca. A chuva dos últimos meses foi suficiente para atenuar esse problema?
Para já, a situação é completamente oposta à do ano passado. Choveu, as ribeiras correram, há água nas charcas… Enfim, essa preocupação que existia foi suavizada. Contudo, esperamos que continue a chover nos próximos dias e que a água não falte no mês de Abril. Se assim for, é natural que a situação não seja tão dramática quanto no ano anterior.

Mas em 2016 chegou-se a temer o pior… Chegámos a Outubro e estava tudo seco.
Sim, a seca do ano passado foi das piores que já vivemos aqui na zona. Foi mesmo dramática… É que não havia mesmo água! Havia agricultores que para conseguirem abastecer o seu gado tinha de andar com depósitos de água dezenas de quilómetros por dia. E tiveram de fazer grandes investimentos…

Não bastasse não haver água e ainda tiveram despesas extra.
Tiveram de fazer grandes despesas. E é pena que essas despesas não tivessem sido contempladas pela ajuda [concedida pelo Ministério da Agricultura]. Essa ajuda só foi dada a partir do momento em que foi publicado o despacho [do ministro] e tudo o que estava para trás não foi contemplado. Mas obviamente que a ajuda veio e ainda bem, porque a partir de Setembro a situação era completamente caótica.

Estes períodos de seca são cada vez mais frequentes. Também por isso, fala-se com cada vez mais insistência na necessidade de alargar o Alqueva à barragem do Monte da Rocha. Em que medida seria este projecto importante?
Era fundamental e esta é uma situação que os políticos têm de tomar em mãos. Os políticos não podem pensar só no dia de hoje, têm de pensar também no dia de amanhã. E esse assunto já devia estar a andar! Porque a única barragem que temos aqui para abastecimento público é a barragem do Monte da Rocha, que está a fazer o abastecimento de três concelhos…

Serão cinco dentro de algum tempo.
E se assim for, pior a situação! Para já, a bacia do Sado – que é a que abastece o Monte da Rocha – é pequena e com pouca afluência de água. Só num ano muito anormal de chuva abundante é que ela pode encher. Por isso gostava que os políticos aqui da zona do Campo Branco se juntassem e fizessem um esforço conjunto muito grande para que essa situação seja resolvida. Porque ela tem de ser resolvida! Não se pode ignorar por muito mais tempo. E uma vez que isso [ligação da barragem do Monte da Rocha ao Alqueva] vai implicar despesas avultadas, acho que outra hipótese seria ir buscar a água à barragem de Santa Clara.

Ou seja, é preciso que chegue mais água ao Monte da Rocha – venha do Alqueva ou de Santa Clara.
Exactamente! Ou de Alqueva ou de Santa Clara, a água tem de vir. Daí que desafio os políticos a pensarem a longo prazo e façam valer a sua opinião junto do poder central.


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Data: 14/04/2017
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