FIGURAS DE ONTEM DO ALENTEJO: Domingos Garcia Peres (1812-1902)

Sexta-feira, 5 Abril, 2024
Luís Menezes

Luís Menezes

FIGURAS DE ONTEM DO ALENTEJO: Domingos Garcia Peres (1812-1902) FIGURAS DE ONTEM DO ALENTEJO: Domingos Garcia Peres (1812-1902)

Domingos Mateus García Peres, Bacharel e Doutor em Medicina e Cirurgia pelo Colégio Real de Cádis (1838 e 1844), Diploma de Médico em Lisboa (a -7-1939), Cirurgião-mor do Batalhão Nacional de Setúbal (1849-1850), Guarda-mor da Repartição de Saúde Pública do porto de Setúbal (    -1863), Deputado por Setúbal (legislaturas 1853-1856, 1857-1858, 1858-1859 e 1860-1861), Subchefe da Companhia Peninsular dos Caminhos-de-Ferro (de 1863 a 1870), Comendador de Isabel a Católica e de Carlos III de Espanha, Sócio da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e Correspondente da Real Academia de História Espanhola, Sócio correspondente da Sociedade Arqueológica de Madrid (1845), Presidente do Clube Setubalense (1875-1876), Vice-Presidente da Comissão de Recenseamento Político (1879), Administrador substituto do concelho de Setúbal (1881-1882), etc., naturalizado português por carta da Rainha D. Maria II de 14-4-1840, etc.1  Nasceu em S. João Baptista, Moura, Beja a 4-8-1812, e morreu na quinta da Brasileira, N. S.ra da Anunciada, Setúbal em 27-1-1902. 

 Era filho de pais espanhóis que buscaram refúgio em Portugal, quando a província de Huelva foi invadida pelo exército francês, que saqueou e queimou a vila de Almendro a 9-6-1810, de onde eram naturais, e nasceu em S. João Baptista, na vila de Moura, distrito de Beja a 4-8-1812.2  

Estudou as primeiras letras e depois o latim em povoações de Espanha, limítrofes de Moura – Valencita, município de Valencia del Mombuey, província de Badajoz, Espanha. Terminados estes estudos, por conselho de um parente fez os preparatórios no Colégio Sacro Monte de Granada, onde cursou 3 anos de Filosofia. Terminado o curso, regressou a casa com a intenção de seguir Medicina na Universidade de Coimbra, mas como esta estivesse fechada por motivo da guerra Civil (1828-1833), foi estudar e cursar como aluno interno e depois externo em Medicina, tendo-se formado Bacharel em Medicina no Colégio Real de Medicina em Cádis em 1838.3      

Obtida a formatura voltou a Portugal, revalidou o seu diploma de médico na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em Julho de 1839, provindo de Moura, onde seus pais fixaram residência.4  Naturalizado português por carta régia passada pela Rainha D. Maria II em 14-4-1840, concorreu e obteve o lugar de médico municipal em Alcácer do Sal, onde exerceu clínica de 1839 até 1844. Nesse último ano de 1844, foi para a Universidade de Cádis para tomar o grau de Doutor em Medicina.5   

Desposou a 4-8-1846, D. Maria Amália Albino, filha do antigo proprietário Agostinho Rodrigues Albino, opulento proprietário, antigo agente do monopólio do Tabaco para o Baixo Alentejo e influente eleitoral, que conseguiu para seu genro, a nomeação de Guarda-mor da antiga Repartição de Saúde Pública do porto de Setúbal, passada pelo 1º Conde de Tomar, cargo que exerceu até 1863.6  

Tornou-se muito notável pela sua larga inteligência e vasta erudição, que lhe deram um lugar de destaque na sociedade do seu tempo. Para isso muito contribuiu o ambiente espiritual formado pela convivência de homens notáveis nas artes, ciências e letras como: António García Gutiérrez, Mariano José de Larra, Francisco Martínez de la Rosa, Juan Eugenio Hartzenbusch, 1º Duque de Rivas (Ángel de Saavedra), Federico Rubio y Galí, Manuel José Quintana, Agustín Durán, José de Espronceda y Delgado, José Zorrilla y Moral, Manuel Milá y Fontanels, José Echegaray y Eizaguirre, Alejandro Llorente y Lannas, Ceferino Suárez-Bravo, D. José Salamanca, 1º Marquês de Valdeterrazo (António Bonifácio González y González), António de los Ríos Rosas, António Romero Ortiz, Daniel Carballo Codesido, 1º Marquês de Barbanzón, Abelardo Lopez de Ayala e outros, glórias inapagáveis do Romantismo espanhol.7  

A sua paixão dominante era a ciência e bibliofilia, detestando a política «em 1852 este circulo eleitoral empoleirou-me no cargo de deputado, apesar de ter pouca vocação para a política (…)».8 Adversário do partidarismo, representou por quatro vezes o círculo eleitoral de Setúbal na Câmara dos Deputados como Deputado independente entre 1853 a 1861 (legislaturas de 1853-1856, 1857-1858, 1858-1859 e 1860-1861). Neste largo período de actividade parlamentar foi fecundo em benefícios para a cidade de Setúbal, como: o estabelecimento do correio diário; a instalação do telégrafo eléctrico; o farol novo; a construção da via-férrea do Pinhal Novo e o título de cidade à então vila de Setúbal, estes dois últimos melhoramentos em colaboração de diligências com o Dr. Aníbal Alvares da Silva; a construção da nova estrada de Setúbal a Azeitão; conseguindo 500$000 réis para reparos nas igrejas de S. Domingos e da Anunciada em Setúbal; e sem incluir muitas esmolas, donativos e vários favores oficiais para o Asilo da Infância Desvalida da qual presidiu (entre 1876-1900) e foi generoso protector até ao final da sua vida.9  

José Timóteo Montalvão Machado, refere que «foi uma figura de excepcional relevo e realizou o tipo político de político popular, verdadeiro democrata, que, de bom humor, atendia aos pedidos e sugestões dos seus eleitores, ao mesmo tempo que concorria para o progresso material desta terra, sendo um dos maiores pugnadores pela elevação de Setúbal à categoria de cidade (…) Por seu bom humor, por seu feitio afável, e pranzenteiro, pelo seu desinteresse pessoal, o Dr. Domingos Garcia Peres impôs-se ao respeito, estima e consideração desta cidade, durante meio século».10  

Eleito para a Câmara dos Deputados para legislatura de 1853-1856 (juramento a 11-2-1853), ingressou de imediato na Comissão parlamentar de Saúde Pública. A 22-3-1853, rubricou o parecer favorável ao projecto de lei que regulamentava o Serviço de Saúde do Exército; em Abril de 1853, apresentou um requerimento à Secretaria das Obras Públicas, acerca do andamento das obras de canalização dos terrenos entre o rio Tejo e o Sado; seguiu-se em Maio de 1854, a batalha pelo prosseguimento dos trabalhos da estrada entre Alcácer do Sal e Beja, logo seguida em Junho, da pública defesa dos planos de construção da ponte sobre a Ribeira da Marateca; em Junho de 1855, subscrevia um projecto de lei colectivo concedendo benefícios à companhia que propusesse assegurar serviços de navegação entre Setúbal e Alcácer; foi também mandatário de repetidas representações dos negociantes de cereais e padeiros de Setúbal, protestando pelo excesso de tributos que oneravam as suas actividades. Foi reeleito para a Câmara dos Deputados em 1857-1858 (juramento a 24-1-1857), reocupando o seu lugar na Comissão de Saúde. A defesa dos melhoramentos materiais, continuaram a receber o seu empenhamento, como foi o caso do eixo viário Setúbal-Azeitão, ou o ramal do caminho-de-ferro até Setúbal; a 30-1-1857, foi autor de uma interpelação ao Ministro do Reino, sobre o estado de insegurança e notícias acerca de frequentes assaltos na estrada Lisboa-Setúbal; apresentou as representações das câmaras dos extintos concelhos de Palmela, Azeitão e Sines, que solicitavam ao poder legislativo o seu imediato restabelecimento. No decurso da legislatura 1858-1859, na qual prestou juramento a 21-6-1858, o assunto que dominou o seu trabalho, foram as urgentes providências a adoptar para acudir à difícil situação de Setúbal, na sequência do tremor de terra ali registado em 11-11-1858. Assim a 25-11-1858, foi autor de um projecto de lei, conjuntamente com Lobo de Ávila, para que o Governo suspendesse de imediato, nos concelhos dessa região as execuções dos devedores à Fazenda, que mais tivessem sofrido com a catástrofe. Na última legislatura que serviu em 1860-1861, foi autor de um projecto de lei, apresentado na sessão de 22-2-1860, que concedia regalias às empresas que se lançassem na exploração dos serviços de navegação a vapor no rio Sado; apresenta um projecto de lei sobre a Alfândega de Setúbal a 12-5-1860 «procurando reanimar o comércio de Setúbal, e dar vida ao seu cómodo, seguro e belo porto, o restabelecimento do selo, e a franca admissão de fazendas e despacho da sua Alfândega como gozava antes (…) da publicação da carta de lei de 11 de Março de 1819». Mas a sua maior conquista foi no plano simbólico: a 21-4-1860, comunicava à Câmara de Deputados, o público louvor dos seus constituintes pelo decreto régio, por ele repetida e insistentemente pedido, que elevava a vila de Setúbal à categoria de cidade.11               

Na qualidade de Deputado, facilitou a beneficiação e reconstrução do Bairro do Troino, após o terramoto de 11-11-1858, porque deu as garantias do juro ao capital empregue nesta reedificação, após uma reunião extraordinária efectuada na Câmara Municipal em 2-12-1868.12  

Em 1863, transferiu o seu domicílio para Lisboa, onde se manteve até 1870, no cargo de Subchefe de Saúde da Companhia Peninsular dos Caminhos-de-Ferro, de cuja administração era director D. José de Salamanca y Mayol (1811-1883)13, 1º Marquês de Salamanca, seu amigo dedicado. Mas em 1870, volta a Setúbal sua cidade adoptiva, indo morar para a Quinta da Brasileira, à entrada do Viso, vasta propriedade que tratou e cultivou com o maior desvelo. Protector solícito do Asilo da Infância Desvalida, nunca faltou com os seus donativos aquela instituição de assistência enquanto teve vida a alento, porque realmente possuía um espírito bondoso e caritativo.14  

 

FIGURAS DE ONTEM DO ALENTEJO: Domingos Garcia Peres (1812-1902)
Hans Christian Andersen (1805-1875) em 1869, in Thora Hallager – museum.odense.dk

 

Numa das suas viagens de regresso de Espanha, cruzou-se com poeta e contista dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), com quem veio de viagem de comboio desde Madrid, parando e visitando Toledo, Mérida, Badajoz, Elvas e Entroncamento (onde descansaram), terminado em Lisboa entre 3 a 6-5-1866.15   

Foi colaborador de Inocêncio Francisco da Silva (1810-1876), bibliógrafo, na sua obra incontornável do “Diccionario Bibliographico Portuguez” e teve como amigos Joaquim Pedro de Oliveira Martins (1845-1894) e Alberto Pimentel (1849-1925).16    

Como investigador e amigo das letras foi autor de uma obra notável o “Catálogo Rasonado Biográfico y Bibliográfico de los Autores Portugueses que escrebieran en Castellano”, obra de vastidão desconhecida do grande público e que representou quase uma vida inteira de trabalho. Para tal teve a preciosa ajuda de Marcelino Menéndez y Pelayo (1856-1912)17, que o convidou e se prontificou a prefaciar e a publicá-la, com a sua prévia emenda, revisão, adição, correcção, e com quem se correspondeu com mais de 114 cartas no período que medeia entre 16-9-1880 a 29-4-1900.18  

Nos seus apontamentos autobiográficos, refere-se à sua paixão pelos livros e explica os motivos pelos quais se aventurou na elaboração da sua obra: «Da politica tirei o que o negro sermão: a cabeça quente e os pés frios. Durante aquelle tempo de ociosidade dirigi os meus rumos a adquirir e colligir velhos livros portugueses e castelhanos, nos quaes, depois de muito folheados encontrei uma mina desconhecida e inexplorada de escriptores luzo-hispanos, dignos de referencia na historia da litteratura de Hespanha (…)».19     

 

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Marcelino Menéndez y Pelayo (1856-1912), in Real Academia de História de España 

 

Devido à amizade com Juan Valera y Alcalá-Galiano (1824-1905)20, Ministro Plenipotenciário (Embaixador) em Portugal (1881-1883), conseguiu que o governo de Espanha, o mandasse imprimir à sua custa, após parecer da Academia Espanhola de 5-11-1887. Esta obra foi editada em Madrid em 1890, sob o patrocínio de Maria Cristina de Áustria, Rainha Regente de Espanha (1885-1902), votando o Ministério do Fomento espanhol, a quantia necessária para a tiragem de 500 exemplares na Tipografia do Colégio Nacional de Madrid de Surdos-Mudos e Cegos (Imprenta del Colegio de Sordo-Mudos y de Ciegos en Madrid), despesa calculada em 895 pesetas, ficando a pertencer ao autor 300 exemplares como recompensa de tão notável trabalho, reservando-se os restantes 200 exemplares para o governo espanhol, com a obrigação do autor dirigir a tiragem da mesma obra, que seria prefaciada pela Real Academia Espanhola.21  

Por mandato do Ministério da Instrução Pública, foi pedido a apreciação à Academia Real das Ciências de Lisboa, cujo parecer favorável foi emitido a 16-5-1891, sendo este assinado por Manuel Pinheiro Chagas, Teófilo Braga e Joaquim Pedro de Oliveira Martins.22  

Foi um dos animadores das pesquisas feitas na península de Troia pela Sociedade Arqueológica Lusitana, da qual foi um dos co-fundadores (em 1849) e tomou parte activa nas questões dirimidas pelos interessados na Roda do Sal, tendo publicado um escrito anónimo sobre as salinas “Epistolas do Escalado e do futuro proprietario de marinhas”, Lisboa: Tip. da Empreza da Lei, 1852”, que advogava o velho sistema corporativo, arreigado nas tradições. Grande apreciador das artes liberais e plásticas, possuía uma boa colecção de quadros a óleo e também uma valiosíssima biblioteca, com raros exemplares principalmente referentes às antigas ordens religiosas.23  

Recebeu ainda correspondência e os maiores elogios de iminentes homens de letras portuguesas do século XIX, como João Baptista de Almeida Garrett (1799-1854)24, entre [Julho e Outubro de 1854], agradecendo-lhe um presente ligado com a memória do tio do escritor «mostrar a V. S.ª o meu profundo agradecimento pelo subido presente com que me mimoscou. Nada n`este mundo me podia ser tam agradavel como a memoria que me recorda os presentes objectos, que foram de uso do meu venerando tio e educador (…)», e Camilo Castelo Branco (1825-1890)25, elogiando-o como colecionador de livros raros e “versadíssimo” bibliófilo em 1868 «Um illustrado collector de livros raros, e benemerito da honra que a academia de Madrid conferiu, pouco ha, ao seu precioso estudo sobre os portuguezes que escreveram em Castelhano, o sr. Domingos Garcia Peres, por vezes enviado ao nosso parlamento, me brindou com o raro livro de Valera, mais precioso para mim n’esta conjunctura. Aqui me preso de referendar o meu grande reconhecimento ao versadissimo bibliophilo. Tal livro, condemnado, e infamado pelo Index ex-purgatorio, deve ser hoje raridade escapada ás hecatombas da inquisição».26 

Diz Fran Paxeco «Um estoico! Homem de superiores qualidades, Setúbal, deve-lhe o inequívoco tributo duma profunda gratidão». O topónimo urbano rua Dr. Garcia Peres, foi introduzido por deliberação camarária setubalense de 17-1-1906, artéria que ligava as Alcaçarias à rua Almeida Garrett. Em 1910, no lado nascente foi criada a Travessa Garcia Peres, que devido à pressão urbana foi transformada num Beco Garcia Peres por sessão camarária de 3-11-1927. Entre 1892 e 1913, foi criado o topónimo Largo Garcia Peres, com ligação ao bairro Alves da Silva e rua Heliodoro Salgado e rua Alves da Silva, próximo da quinta da Brasileira.27     

A Câmara Municipal de Moura (vila onde nasceu), por deliberação municipal de 29-3-1919, a antiga rua da Assaboeira (ou da Saboeira), passou a chamar-se Rua Dr. Garcia Peres, que foi substituída por Rua Diogo Rodrigues Acabado, por sessão camarária de 20-12-1934. Em Lisboa o nome Garcia Peres, é lembrado numa placa de “Homenagem da Biblioteca Nacional aos seus doadores e mecenas. Séc. XIX”.28   

 

ANEXOS 

 

 

-[1854]- Almeida Garrett – Cartas Intimas, Lisboa: Emp. da Historia de Portugal, 1904, in Obras completas de Almeida Garrett, 27, pp. 130-131 

 

Meu Am.o e Sr. Peço-lhe que acredite que só o grande incommodo de saude por que tenho sido affectado ha tantos dias me podia impedir de mostrar a V. S.ª o meu profundo agradecimento pelo subido presente com que me mimoscou. Nada n`este mundo me podia ser tam agradavel como a memoria que me recorda os presentes objectos, que foram de uso do meu venerando tio e educador.  

Creia que esta recordação, que hade durar tanto como a minha vida, se liga d`ora em deante á da sua amizade e attenção, que tanto me penhoram.  

Remetto o livro que V.S. mostrou desejar e que vae firmado com o meu nome, conforme pediu. E só me pesa não poder dar a esta offerta outro valor, que ella não tem. Lembro lhe que não o dispenso da campainha e hostiario que me prometteu.   

Fique sempre certo que sou e serei V. S.ª Am.o C.do Obrig.oAlmeida Garrett   

 

1868 – Camilo Castelo Branco – As virtudes antigas ou a freira que fazia chagas, e o frade que fazia reis, Lisboa: Livraria de Campos Junior, [1868], p. 69 

 

El segundo de la Missa…Iten, un ENXAMBRE DE LOS FALSOS MILAGROS COM QUE MARIA DA VISITACION, PRIORA DE LA ANUNCIADA DE LISBOA ENGAÑÓ Á MUY MUCHOS: Y DE COMO FUE DESCUBIERTA Y CONDENADA. Um illustrado collector de livros raros, e benemerito da honra que a academia de Madrid conferiu, pouco ha, ao seu precioso estudo sobre os portuguezes que escreveram em Castelhano, o sr. Domingos Garcia Peres, por vezes enviado ao nosso parlamento, me brindou com o raro livro de Valera, mais precioso para mim n’esta conjunctura. Aqui me preso de referendar o meu grande reconhecimento ao versadissimo bibliophilo. 

Tal livro, condemnado, e infamado pelo Index ex-purgatorio, deve ser hoje raridade escapada ás hecatombas da inquisição. Salvou-se, pois, com o livro a noticia do creador d’um verbo já obsoleto. 

Valera inventou o verbo papar, fundando-se n’este admissivel argumento: se de rei se diz «reinou tantos annos» de papa diga-se «papou tantos annos.» É justo, philologicamente fallando. 

 

1912 – Thomaz de Mello Breyner – «Dr. Garcia Perez», in Jornal da Sociedade das Siencias Medicas de Lisboa, Tomo LXVI, n.º 3, Março de 1902, pp. 81-83 

 

Sr. Presidente: – Alguns jornaes do dia 27 de janeiro proximo passado diziam, em telegramma de Setubal, ter ali morrido dois dias antes o Dr. Garcia Perez, e nada mais accrescentavam. Eu, porem, conheci de perto o illustre medico, que foi membro d`esta Sociedade, e quero ter a honra de propor que na acta da sessão de hoje se lance um voto de sentimento pela sua morte. 

É possivel que alguma das pessoas presentes tenha conhecido e apreciado o Dr. Garcia Perez, o mais certo porem, é que a grande maioria d`esta assembléa, nem sequer conhecesse de nome esse homem que nunca fez falar de si, por ter sido dotado de uma modestia tão grande como era o seu coração, a sua intelligencia e o seu saber. 

Eu, que aprendi na minha infancia a respeitar o nome de Garcia Perez e que mais tarde ao respeito que já tinha pela sua pessoa tive de juntar muita admiração pelos seus dotes exepcionaes, devo juntar á minha proposta algumas palavras para mostrar que o nosso consocio estava bem longe de de ser um homem banal. 

O Dr. Domingos Garcia Perez era filho de paes hespanhoes, mas nasceu em território português, na Villa de Moura e no anno de 1812. Muito novo foi para o país vizinho estudar as primeiras letras em Granada, ali estudou tambem philosophia e mais tarde foi para Cadiz onde se doutorou em medicina numa epoca em que a Universidade d`aquella cidade passava por ser a de maior brilho em toda a Hespanha e Garcia Perez, com a maior ternura, se orgulhava se ser filho scientifico de tão brilhante mãe. 

Terminados os estudos, optou pela nacionalidade portuguesa, e, depois de habilitado pela Escola Medica de Lisboa, exerceu durante algum tempo clinica em Alcacer do Sal.  

Em 1846 já estava em Setubal, onde ficou até morrer, com a interrupção de um pequeno numero de annos que passou na capital. 

Dotado com uma intelligencia muito fina e facil e com muito amor pelo trabalho, o Dr. Garcia Perez, não obstante consagrar uma grande parte do tempo á clinica dedicada e desinteressada, conseguia estar sempre em dia com o que se passava no mundo medico e era deveras interessante ouvi-lo discutir e discretear sobre as modernas doutrinas e systemas, com uma critica admiravel e cheia de espirito cair a fundo sobre theorias em voga e mais de uma vez acertar quando lhes prophetisava uma curta vida.                        

Como clinico era muito considerado pelos collegas, e ao seu saber, intelligencia e bom criterio eu ouvi Sousa Martins, Arantes Pedroso, Thomás de Carvalho e Magalhães Coutinho, fazerem as mais lisonjeiras referencias. Este ultimo principalmente tinha por Garcia Perez uma consideração bastante differente da que elle, por via de regra, costumava ligar á grande maioria das pessoas. 

Exerceu a medicina com amor, com verdadeira vocação e com um desinteresse que lhe trouxe grande popularidade que o enternecia sem o envaidecer. O nome de pae dos pobres, quasi sempre tão mal empregado, assentava bem em Garcia Perez, que a todos acudia com boa vontade e carinho, juntando tantas vezes ao socorro da sua intelligencia o auxilio da sua bolsa. 

Não sabendo dizer que não, conseguiu o povo de Setubal que Garcia Perez acceitasse o mandato de deputado, chegando a vir á Camara, mas pouco depois voltava ás suas occupações de clinico tão desejado pelos doentes.                 

Teve na vida o grande desgosto de ver morrer um filho que muito amava e que a sciencia não pôde salvar. Diz-se que foi a descrença na medicina, nascida nesse momento triste, que o fez abandonar a clinica. É possivel que esta razão tenha concorrido para isso, mas não devemos de deixar de considerar que uma paixão nova, a dos estudos historicos, concorreu para o fazer esquecer a paixão antiga pelos estudos medicos. 

Garcia Perez, que desde muito novo sempre cultivou as bellas letras, escrevendo em prosa com muita elegancia e bom estylo e em verso com a maior graça e bom humor, dedicou-se aos trabalhos litterarios nos ultimos trinta annos da sua vida, ora encerrando-se no seu gabinete de estudo, ora percorrendo as bibliothecas de Portugal e sobretudo as de Hespanha, onde nas suas investigações foi acompanhado por ilustres academicos castelhanos, seus admiradores. 

D`esta maneira, Garcia Perez tornou-se um apaixonado pelo novo genero de estudos e d`elles nasceu a idéa de uma obra que publicou em 1890, com o titulo de Catalogo razonado biográfico y bibliográfico de los autores portugueses que escribieron en castellano. 

Esta obra, forma um volume de 700 paginas cheias do maior interesse para portugueses e para hespanhoes, veiu preencher uma falta, pois tem sempre o maior valor um livro onde se vê feito com intelligencia um trabalho importante, que até então ninguem tinha intentado fazer. 

A «Real Academia Española», num extenso parecer que o secretario Tamayo e Baus faz sobre a obra do nosso consocio, termina chamando-lhe «verdadero servicio á la literatura y á la pátria española». 

A nossa Academia Real das Sciencias, num parecer assignado por Pinheiro Chagas, Theophilo Braga e Oliveira Martins, faz ao livro de Garcia Perez os mais rasgados elogios. 

É certo, que o valor literario de Garcia Perez não tem de ser apreciado nesta Sociedade e por muito menos por quem se julga sem a menor competencia para o fazer, mas tomando a palavra para me referir ao ditincto consocio que ha pouco perdemos, não podia deixar de me referir a todos os titulos que o tornaram em vida um cidadão illustre e bem digno de passar á posteridade. 

Tenho a honra de mandar para a mesa a obra de Garcia Perez, offerecida á Sociedade pela sua familia, e peço que a esta se communique a manifestação do nosso sentimento.     

 

1920 – Fidelino de Figueiredo, dir. – Revista de História: Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos, Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912-1928, Ano IX, 1920, n.º 33-36, Autobiographia dum hispanizante: Apontamentos da minha vida, pp. 74-75  

 

Autobiographia dum hispanizante: Apontamentos da minha vida 

 

Filho de paes hespanhoes que buscaram refugio em Portugal quando a provincia de Huelva foi invadida pelo exercito francez que saqueou e queimou a villa de Almendro, de onde eram naturaes, nasci a 4 de agosto de 1812, na villa de Moura, Provincia do Alemtejo, Bispado de Beja.  

Apesar do seu refugio se ter convertido em morada permanente, mandaram-me meus paes, não (sei) se ainda esperançados em voltar á patria, aprender as primeiras letras e depois o latim em povoações de Hespanha, limitrophes da villa de Moura (Valencita) de onde fugio (sic) em companhia do Dr. Pulido, temeroso de uma sova monumental que receiavam do mestre, não sei por que travessura.      

Terminados estes estudos, por conselho de um parente que tinha colegial do Sacro Monte de Granada, fui mandado para este instituto, onde cursei os 3 annos de philosophia, sendo meu professor D. José de Alcantara Navarro, que depois foi secretario do Commissariado da Bula da S.C. e Senador do reino de Hespanha. Tive ali por condiscipulos: o sobrinho daquele senhor, D. Miguel Lafuente Alcantara, auctor da Historia de Granada, Sanz del Rio, introductor do Krausismo em Hespanha, o marquez de Lacorte, que foi director do Instituto de S. Izidro e o Sr. Fernandes Guerra, director geral de instrucção publica.    

Terminado o curso, regressei a casa com intenção de seguir a carreira de medicina na Universidade de Coimbra, mas, como esta estivesse fechada por motivo de guerra civil, resolvi, para não perder tempo, ir estudar no collegio de medicina e cirurgia de Cadiz, de que fui alumno interno pensionista, emquanto o collegio esteve debaixo da direcção do Ministerio da Marinha, como escola de medicos da armada, e depois estive externo até acabar o curso. Tive por condiscipulos: o actual director D. Frederico Benjumea, bom anatomico e melhor operador, felicissimo no talho perinneal; D. Guilherme Retortillo, hoje marquez do seu apellido, e por contemporaneos: Hires Arenas, dramaturgo, D. Fernando Basterrechea, chefe superior de saude no exercito do norte durante a 1ª guerra civil. 

Tive tambem ali intima convivencia e amizade com Garcia Gutierrez, autor do Trovador, amizade que conservei até á sua morte, tendo-o visto em 1881, pela ultima vez, muito abatido e quasi cego. 

Em 1837 ouvi algumas das lições de litteratura dadas por D. Alberto Lista, no recem fundado collegio de S. Filippe, de que foi primeiro director. 

Permaneci em Cadiz até 1838, sempre matriculado no consulado como portuguez, livrando-me porisso da milicia nacional e da celebre quinta de Mendizabal, recrutamento de 100:000 mancebos de que nem os paralyticos escaparam sem pagar a remissão. 

Acabada a carreira, voltei á patria com a minha carta e as ferramentas do officio e depois de revalidar o meu diploma, concorri e obtive o partido de Alcacer do Sal. Ali desfalquei a humanidade até 1844, em que fui a Cadiz tomar o grau de doutor, vindo para Setubal exercer o logar de guarda mór de saude. 

Nesta terra me casei, afim de compensar com fructos de benção o deficit que até ali tinha causado á humanidade. 

Em 1852 este circulo eleitoral, empoleirou-me no cargo de deputado, apesar de ter pouca vocação para a politica. Entrei naquelle mar tão cheio de arrecifes e syrtes, saindo sem tropecar nem varar nos seus baixios, o que devi mais do que á minha destreza, ao acerto de não me filiar em nenhum dos partidos militantes durante os 9 annos que naveguei por aquelles mares. 

Da politica tirei o que o negro do sermão: a cabeça quente e os pés frios. Durante aquelle tempo de ociosidade dirigi os meus rumos a adquirir e colligir velhos livros portugueses e castelhanos, nos quaes, depois de muito folheados encontrei uma mina desconhecida e inexplorada de escriptores luzo-hispanos, dignos de referencia na historia da litteratura de Hespanha. Cobrei vontade e animo de manifestal-a para que outros mais ricos de dotes e conhecimentos approveitassem o seu filão.  

Fiz uns apontamentos que me comprou a Bibliotheca Nacional e que hoje, mais augmentados, estão em poder de Menéndez y Pelayo, o qual me convidou a publical-os, o que fiz com a sua prévia emenda, addição e correcção e com a autorização do governo. 

Durante o periodo que estive em Hespanha, e depois, adquiri e mantive relações com uma grande parte dos Hespanhoes (que) por vontade ou pelas convulsões politicas daquelle paiz, visitaram o nosso. Entre os primeiros tive intima amizade com D. José Salamanca, e renovei a que tinha tido em Cadiz com Alexandre Llorente e Suarez Bravo, e entre os segundos contei o Marquês de Valdeterrazo, Rios Rosas, Romero Ortiz, Daniel de Carbalho, Lopez de Ayala, Barrantes e outros, e de todos recebi graças, favores, presentes de livros e deferencias, que fortalecem em mim o amor que professo á Hespanha como 2ª mãe pátria. 

 

GARCIA PERES          

 

 

1925 – Os do Almendro: III – Garcia Peres, in Jornal Novidade de 3-5-1925, Ano (XL) – II, n.º 8938-489, p. 3 

 

FIGURAS DE ONTEM DO ALENTEJO: Domingos Garcia Peres (1812-1902) FIGURAS DE ONTEM DO ALENTEJO: Domingos Garcia Peres (1812-1902)  

FIGURAS DE ONTEM DO ALENTEJO: Domingos Garcia Peres (1812-1902)
Novidades de 3-5-1925

 

 

Notas:

[1]cf. António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira – Domingos Garcia Peres: Um setubalense por coração: Homenagem no bicentenário do nascimento: (1812-1902), Setúbal: Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, 2012, p. 14 e Arquivo Distrital de Setúbal, RP, C, Set./S. Julião, Livro que serviu de 2-8-1830 a 29-12-1849, fl. 198; Maria Filomena Mónica, dir.; Pedro Tavares de Almeida, colab. [Et Al.] – Dicionário Biográfico Parlamentar: 1834-1910, Vol. III, Lisboa: Assembleia da República: Imprensa de Ciências Sociais – Casa da Moeda, 2004-2005, pp. 243-245; Manuel Envia – Coisas de Setúbal: prosas regionais, Setúbal: M. Envia Ed., 1947, p. 300; João Francisco Envia – Setubalenses de mérito: 120 biografias, Setúbal: J. F. Envia, D. L. 2003, p. 144; ANTT, Registo Geral de Mercês, D. Maria II, Livro 13, fl. 33 v.º; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa-Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [195-]-    , Vol. XII, p. 167 e Os do Almendro: III – Garcia Peres, in Jornal Novidade de 3-5-1925, Lisboa: Typographia das “Novidades”, 1885-1974, Ano (XL) – II, n.º 8938-489, p. 3; António Manuel Pulido Garcia – Os do Almendro: Capítulo V – Garcia Peres, Beja: BejaGráfica, 1998, pp. 33-37.

[2]cf. Fidelino de Figueiredo, dir. – Revista de História: Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos, Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1912-1928, Ano IX, 1920, n.º 33-36, pp. 73-75.

[3]cf. Fidelino de Figueiredo, op. cit., p. 74.

[4]cf. Marcelino Menéndez y Pelayo, pref. e notas de Fidelino de Figueiredo – Cartas de Menéndez y Pelayo a Garcia Peres, [S.l.: s.n.], 1921 (Coimbra: — Imp. da Universidade 1921), in Sep. Bol. Classe de Letras da Academia das Ciências, p. 4; Manuel Envia, op. cit., p. 296 e Fran Paxeco – Setúbal e as suas preciosidades, Lisboa: Soc. Nacional de Tipografia, 1930, p. 239; João Francisco Envia, op. cit., p. 143.

[5]cf. Fidelino de Figueiredo, op. cit., p. 74.

[6]cf. Fidelino de Figueiredo, op. cit., p. 74; Manuel Envia, op. cit., p. 298 e Fran Paxeco, op. cit., p. 239-240; João Francisco Envia, op. cit., p. 143 e António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira, op. cit., p. 13.

[7]cf. Fidelino de Figueiredo, op. cit., p. 75; Manuel Envia, op. cit., p. 298 e Fran Paxeco, op. cit., p. 239.

[8]cf. Fidelino de Figueiredo, op. cit., p. 74.

[9]cf. Manuel Envia, op. cit., pp. 298-299 e Fran Paxeco, op. cit., p. 240; João Francisco Envia, op. cit., p. 144.

[10]cf. José Timóteo Montalvão Machado – Vultos Médicos de Setúbal, Setúbal: Junta Distrital, 1961, pp. 28-29.

[11]cf. Maria Filomena Mónica, op. cit., pp. 243-245; António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira, op. cit., p. 28 e periódico Revolução de Setembro de 7-6-1860.

[12]cf. João Francisco Envia, op. cit., p. 144.

[13]cf. José de Salamanca y Mayol, nascido José Mayol, e mais conhecido como D. José de Salamanca y Mayol ou José de Salamanca (n. Malaga, Espanha a 23-5-1811 – m. Madrid, Espanha a 21-1-1883), 1º Marquês de Salamanca (por decreto de Isabel II de Espanha de 9-10-1863) e 1º Conde de los Llanos, com dignidade de Grande de Espanha, Ministro da Fazenda, Senador e Deputado por Málaga, formado em Direito pela U. de Granada, empresário e político espanhol.

[14]cf. Manuel Envia, op. cit., p. 299; João Francisco Envia, op. cit., p. 143; Fran Paxeco, op. cit., pp. 241-242.

[15]cf. António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira, op. cit., pp. 18-19; Hans Christian Andersen (n. Osense, Dinamarca a 2-4-1805 – m. Copenhaga, Dinamarca a 4-8-1875), escritor dinamarquês de peças, relatos de viagem, romances, poemas, sendo mais lembrado pelos contos de fada (de 156 histórias em 9 volumes, traduzidos para mais de 125 idiomas). Entre os contos mais famosos incluem-se: A roupa nova do Rei, A pequena sereia, O rouxinol e o Imperador da China, O soldadinho de chumbo, Os sapatinhos vermelhos, A princesa e a ervilha, A rainha da neve, o patinho feio, Vendedora de fósforos e A polegarzinha.

[16]cf. António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira, op. cit., pp. 37 e 56; Inocêncio Francisco da Silva (n. nas Mercês, Lisboa a 28-9-1810 – m. S. Mamede, Lisboa a 27-6-1876), destacado bibliógrafo lusófono, reunindo toda a informação disponível sobre autores de língua portuguesa até meados do século XIX; foi autor do monumental Diccionario Bibliographico Portuguez: Estudos Applicaveis a Portugal e ao Brasil, Lisboa: Imprensa Nacional, 1858-    , continuado após a sua morte por outros.

[17]cf. Marcelino Menéndez y Pelayo (n. em Santander, Cantábria, Espanha a 3-1-1-1856 – m. aí a 19-5-1912), erudito, filólogo, crítico literário, historiador das ideias, professor catedrático de Literatura com apenas 20 anos da Universidade de Madrid e politico, Deputado (1884-1886 e 1891-1893), Senador pela Universidade de Oviedo (1893-1899) e pela Real Academia Espanhola (1901-1911), Director da Biblioteca Nacional de Espanha (1898-1912), membro da Real Academia Espanhola (1880), e Director da Academia de História (1883), proposto para nobel da Literatura em 1905.

[18]cf. Marcelino Menéndez y Pelayo, op. cit., pp. 4-5; as cartas apresentadas são geralmente afectuosas e tratam de compra, permuta e busca de livros, na sua maior parte.

[19]cf. Fidelino de Figueiredo, op. cit., p. 74.

[20]cf. Juan Valera y Alcalá-Galiano (n. Cabra, Córdoba, Andalucia a 18-10-1824 – m. Madrid a 18-4-1905), escritor, diplomata e político espanhol, cuja mais célebre novela foi Pepita Jiménez, Deputado por Archidona e Oficial da Secretaria do Despacho de Estado, Subsecretário e efémero Director-Geral da Instrução Pública, Ministro e Embaixador em Lisboa (1851 e 1881-1883) e Rio de Janeiro (1851), Dresden (1854), S. Petersburgo (1856), Frankfurt (1865), Washington (1883), membro da Real Academia Espanhola (1861) e da Academia de Ciências Morais e Políticas, etc.

[21]cf. Manuel Envia, op. cit., pp. 299-300 e Fran Paxeco, op. cit., pp. 241-242; João Francisco Envia, op. cit., p. 144.

[22]cf. Manuel Envia, op. cit., p. 300 e Fran Paxeco, op. cit., p. 242; João Francisco Envia, op. cit., p. 144.

[23]cf. Manuel Envia, op. cit., p. 300 e Fran Paxeco, op. cit., p. 242; João Francisco Envia, op. cit., pp. 143-144 e António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira, op. cit., pp. 32, 35-36.

[24]cf. João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (n. em S.to Ildefonso, Porto a 4-2-1799 – m. em Lisboa a 9-12-1854), 1º Visconde de Almeida Garrett (decreto de 25-6-1854), Formado em Leis pela Universidade de Coimbra (em 1822), Deputado (em 1837-1846 e 1851-1852), Ministro dos Negócios Estrangeiros (de 4-3-1852 a 17-8-1852), Par do Reino (por carta régia de 13-1-1852, tomando posse a 8-3-1852), escritor, dramaturgo romântico, orador, ministro e secretário de Estado Honorário; grande impulsionador do teatro e uma das maiores figuras do Romantismo português.

[25]cf. Camilo Castelo Branco ou Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (n. Mártires, Lisboa a 16-3-1825 -m. S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, Braga a 1-6-1890), 1º Visconde de Correia Botelho (decreto de 18-6-1885), escritor, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor; foi um dos escritores mais populares, proeminentes e prolíferos da literatura portuguesa, especialmente do século XIX.

[26]cf. Almeida Garrett – Cartas Intimas, Lisboa: Emp. da Historia de Portugal, 1904, in Obras completas de Almeida Garrett, 27, pp. 130-131 e Camilo Castelo Branco – As virtudes antigas ou a freira que fazia chagas, e o frade que fazia reis, Lisboa: Livraria de Campos Junior, [1868], p. 69.

[27]cf. António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira, op. cit., pp. 59-60.

[28]cf. Manuel Envia, op. cit., pp. 300-301; Fran Paxeco, op. cit., p. 243; e António Cunha Bento, Horácio Pena, Carlos A. Mouro Pereira, op. cit., pp. 62.

 

 

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