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Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010

foto: DR / CMFA

"Villa" poderá ser superior à de Pisões no concelho de Beja
Novas escavações no Monte da Chaminé

Após 20 anos parados, os trabalhos arqueológicos na "villa" foram retomados em Agosto de 2008.
FERREIRA DO ALENTEJO. Nova etapa das escavações vai decorrer até 17 de Setembro mas ainda há muito por descobrir.

Os trabalhos arqueológicos na villa romana do Monte da Chaminé, em Ferreira do Alentejo, recomeçaram em Agosto, para os arqueólogos continuarem a escavar a casa principal do sítio e a zona agrícola anexa.
   A décima campanha arqueológica na villa, que foi ocupada entre os inícios do século I até ao século V d.C. e descoberta em 1981 a cerca de três quilómetros de Ferreira do Alentejo, vai decorrer até 17 de Setembro.
   No terreno, além da historiadora Sara Ramos e dos arqueólogos Clementino Amaro e Maria João Pina, os responsáveis científicos, estão estagiários e recém-licenciados em arqueologia de várias universidades portuguesas.
   A equipa, divida em dois grupos, vai continuar a escavar o centro da casa principal da zona residencial – o peristilo – e a área que os arqueólogos pensam ser a zona agrícola da villa, explicou Maria João Pina.
   As escavações de um grupo "vão incidir no peristilo, que é bastante grande e cuja dimensão total, cerca de 22 metros quadrados, foi definida no ano passado", e as do outro "vão concentrar-se na zona agrícola", onde foram descobertas duas estruturas, precisou a arqueóloga.
   Uma das estruturas poderia ser um celeiro e a outra um lagar de azeite, "mas ainda há muitas incógnitas", disse.
   As primeiras seis campanhas de escavações na villa romana do Monte da Chaminé decorreram entre 1981 e 1988, quando os trabalhos foram suspensos devido a "indisponibilidade" de Clementino Amaro, que descobriu o sítio juntamente com o arqueólogo Manuel Barreto.
   Durante aquele período foram descobertas e escavadas várias estruturas que fazem parte da casa principal da villa, ou seja, "uma parte do peristilo e três divisões circundantes: uma que talvez será uma zona de jantar e as outras duas poderão ser quartos", lembrou a arqueóloga.
   Anexo à casa, na zona agrícola da villa, continuou, foram descobertas e parcialmente escavadas as duas estruturas, que poderão ser um celeiro e um lagar de azeite.
   Após 20 anos parados, os trabalhos arqueológicos na villa foram retomados em Agosto de 2008 e, desde então, "tem sido possível pôr a descoberto toda a parte restante do peristilo e da zona agrícola".
   "Estão a surgir muitas surpresas", como os fragmentos relacionados com um peregrino de Santiago de Compostela, descobertos há cerca de dois anos, numa camada posterior à do período romano, salientou Maria João Pina.
   Os vestígios encontrados até agora, entre estruturas e o "vasto e rico" espólio exumado, que pode ser apreciado no Museu Municipal de Ferreira do Alentejo, apontam para uma villa "muito importante" e que teve "vários contactos com diferentes zonas do império romano".
   "É uma villa romana rica, interessante e não sei se não será superior à de Pisões", situada perto de Beja, classificada de Interesse Público e um dos atractivos turísticos daquele concelho, frisou.
   "Do ponto de vista museológico, histórico e até turístico, a villa é muito importante para o concelho de Ferreira do Alentejo e a intenção da Câmara e dos investigadores envolvidos é avançar com a investigação do sítio, que ainda requer vários anos de trabalho", disse.
   
   
MARIA JOÃO PINA
   Arqueóloga
   A intenção da Câmara [de Ferreira do Alentejo] e dos investigadores envolvidos é avançar com a investigação do sítio, que ainda requer vários anos de trabalho.

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