Os céus cerúleos e os horizontes caiados,
A faísca a incendiar a terra plana,
Os campos são peitos lavrados
Onde em flor nasce a alma transtagana.
E no silêncio fundo dos pensamentos fechados,
A solidão é raiz de azinho, força sobre-humana.
Opróbrio, desonra, vergonha dos que não ousaram
Desassombro, audácia, glória àqueles que sonharam.
Batendo entre a tristeza e o cantar
Os corações são o compasso da vida,
Rasgam-se os que têm de abalar,
Sangue de papoilas escorre da ferida.
Ficam inteiros os que escolhem ficar,
É aqui, é aqui a terra prometida.
Vive quem aceita que do ventre à cova há uma estrada
E mata-se quem acha que não há lá nada.
A inteira e pura luz do Sul ilumina a memória,
Do ventre deste chão só nasce o que permanece,
A pronúncia, a saudade e o resto da nossa história
Ainda se sentam à soleira das portas quando anoitece.
Sabemos que nada é definitivo em tempos de glória
E nada é para sempre quando a felicidade arrefece.
Há dentro de nós um cardo que não nos pica
Damos mais valor à flor, é a flor que tudo significa.
Se neste pó pudesse um rio viver correndo
E dentro dele existir, balançando, um navio,
Mais parecido com um rio morrendo
É ser verão em brasa e a terra ter frio.
Por entre sonhos de água vai o pó vivendo
E só a poesia das margens consegue inventar o rio.
Nasce a esperança, o navio surge de rompante
O poeta guia a palavra e faz-se comandante.








