Alentejo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Rego

arqueólogo

Em todos os órgãos de comunicação social é cada vez mais frequente assistir a uma onda de optimismo para a economia da região, só comparável ao período que se seguiu a 1979 e à Lei das Finanças Locais que traria autonomia financeira aos municípios, processo que dinamizou, de uma forma exponencial as frágeis economias locais, em finais dos anos setenta, inícios dos anos oitenta do século passado. O turismo, a aeronáutica e a agricultura, em particular de regadio, são, sem sombra de dúvida as actividades emergentes e consistentes neste volte face que as planuras alentejanas, e em particular as terras de barros, estão a assistir. Contudo, e apesar de a olhos vistos serem evidentes essas mudanças, continuamos a manter a mais alta taxa de desemprego no nosso país. 8,3%, quando a média nacional é de 7,6%. Objectivamente, neste processo de crescimento, não são significativos para já os efeitos ao nível do emprego, até porque predomina o emprego sazonal, fórmula principal utilizada nos projectos agrícolas, e continua o problema da falta de formação para outras áreas específicas. Se esta dificuldade ao nível do emprego impera, até pela especificidade das necessidades de mão-de-obra, e da especialização necessária em algumas áreas emergentes, é indispensável acreditar que para além das sempre necessárias injecções de técnicos vindos de fora, é necessário acreditar mais no alentejano e, principalmente, proporcionar a igualdade de oportunidades às mulheres. A falta de dinâmica e o espírito de funcionários que tanto nos caracteriza, passa muitas vezes pela não valorização do trabalhador, pelos baixos salários praticados e pela falta de capacidade de gestão de muitos empresários, que preferem olhar para o seu empregado como um autómato, que está ali para fazer o que lhe mandam. Esta realidade é muito fruto da falta de cultura cívica a que nos fomos habituando ao longo das últimas duas dezenas de anos e que se reflecte na ausência quase total de “criatividade” nas nossas gentes. Estamos em último lugar, na EUROPA, no que concerne ao índice de criatividade. E a potenciação desse índice de criatividade passa, conforme o afirmou recentemente o economista americano Richard Florida, pela valorização daquilo que é característico e que constitui a identidade da região. Se até há bem pouco tempo o slogan “construam-me pôrra”, avisava para a necessidade da construção de Alqueva, para a mudança de mentalidades e atitude empresarial dos nossos empresários agrícolas, é urgente gritar bem alto “acreditem em nós, pôrra”. E tragam-nos melhores estradas, melhor gestão empresarial e valorizem as nossas potencialidades autóctones, que saberemos responder ao que é que quer que seja necessário responder. Mesmo dormindo a sesta.

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