Os cravos vermelhos são de quem ama a liberdade

Quinta-feira, 10 Abril, 2014

António José Brito

director do correio alentejo

Gosto de pessoas que dizem em voz alta que o dia 25 de Abril foi o mais feliz das suas vidas. Eu também gostava de o dizer mas, nessa Primavera de 1974, não tinha mais que uns três anos e meio. Por isso, nem sequer tenho uma réstia de memória da magnífica revolução. Nem de algum momento dos que se seguiram, com avanços e recuos que marcaram profundamente a sociedade portuguesa.
Lembro-me dos anos que se seguiram e daquela meia dúzia de militares, bem alinhados e de cravo na ponta da espingarda, a assinalar a data na principal praça da vila onde nasci. Lembro-me das jornadas de rua, dos gritos de liberdade, da força de um povo contente à procura de todos os sonhos das suas vidas.
Quarenta anos depois, devemos tudo a Abril e a quem soube construí-lo! Entre esses, destacam-se aqueles que no meio da escuridão salazarista resistiram firmemente. Gente que, debaixo da pressão da clandestinidade, muitas vezes pagou a luta pela liberdade com a sua própria vida.
Eram muitos mas pareciam muito poucos. Uns mais organizados e outros agindo apenas em nome de um ideal supremo: a liberdade, nada mais!
Entendo, por isso, que as portas que Abril abriu são sobretudo as portas de quem ama a liberdade. Uma liberdade que, quando o avesso da Revolução parecia seguir um caminho que de novo nos poderia amordaçar, soube reagir e manter bem erguida a bandeira plural que hoje temos.
Há 40 anos, os avanços e recuos e outra vez os avanços, fizeram parte de uma história magnífica que deve estar bem presente entre nós. Seguimos por caminhos que nos puseram onde estamos hoje. Subimos novos degraus e alcançámos outras conquistas. Todos somos um pouco responsáveis por cada progresso e por cada recuo que o país fez nestas quatro décadas fantásticas.
Julgo, portanto, que não há erro mais grosseiro, ofensivo e desrespeitoso do que um certo saudosismo que cada vez mais gente começa a apregoar. Falar da Ditadura e com ela fundar argumentos para atacar o Estado de direito democrático e livre, é uma obscenidade de gente sem memória e com uma leviandade inaceitável.
É por isso que este Abril especial que se torna “quarentão”, tem de ser um momento de inequívoca afirmação das suas conquistas primordiais. Um tempo para acentuar a liberdade, lutar pela igualdade e mobilizar todos e cada um de nós para uma fraternidade constante, verdadeira e mais consequente.
Exige-se, pois, que nestes dias que celebram a revolução em que “emergimos da noite e do silêncio”, haja ao peito de todos nós um cravo vermelho da liberdade!
Esse é o sinal de quem ama os valores e todos os príncipios fundados em Abril de 1974 e consolidados em Novembro de 1975. Mas é também a força de quem soube e sabe resistir às traições, ao apoucamento e à desvalorização do dia mais feliz e pleno de Portugal nos último 100 anos.

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