O Imediato e o futuro

Quinta-feira, 22 Maio, 2014

D. António Vitalino Dantas

Bispo de Beja

Desde há 20 anos que no dia 15 de Maio se celebra o Dia Internacional da Família, instituído pelas Nações Unidas em 1993. Na semana em que isso ocorre a Igreja dedica-a à reflexão e oração pela vida. Este ano deu-lhe o título de “Gerar vida, construir o futuro”. Isto significa que tanto a sociedade civil como a Igreja reconhecem o valor fundamental da família, embora nem sempre vista pelo mesmo prisma. Inspirando-me na iniciativa destas organizações mundiais, vou tecer algumas considerações sobre a família, a vida e o futuro da humanidade.
Vivemos muito absorvidos pelo imediato, a realização pessoal, o emprego, os prazeres individuais, a conjuntura presente de crise e temos pouca sensibilidade e disposição para enfrentar os problemas estruturais da vida e da sociedade, aqueles que terão significado no futuro da humanidade. Daí o consumo desenfreado e a exploração da natureza, sem respeito pelas futuras gerações e uma sã ecologia, necessária à qualidade de vida de todos os seres.
A humanidade vive obcecada pelo bem-estar individual e entrou numa espiral do medo, da instabilidade, da falta de confiança. Estas atitudes fundamentais alteraram profundamente a nossa maneira de viver, com consequências ainda fora do alcance da compreensão da maioria das pessoas.
Anos atrás foi o medo do crescimento drástico da população mundial que levou muitos países a adoptarem medidas de planeamento familiar em que foram postos de parte princípios essenciais da dignidade da pessoa humana, como a liberdade e o respeito pela vida.
Na China foi imposta a lei do filho único por casal, de preferência masculino, castigando quem ousasse contradizer. Passada uma geração, muitos homens chineses tiveram dificuldade em encontrar uma esposa chinesa. Nos países do norte do hemisfério não se foi tão longe, mas deu-se facilidade ao aborto e aos contraceptivos.
Hoje há dificuldade em repor as gerações, para equilibrar as sociedades, inclusive os sistemas sociais. Nem mesmo a concessão de subsídios por parte de alguns estados e municípios tem conseguido inverter a situação. Porquê?
O medo do futuro apoderou-se das pessoas e das famílias e impede-as de ser generosas e abertas à vida. Uma geração que não se interessa pela geração seguinte está a pôr em causa o seu próprio futuro. Como modificar esta tendência em vista de um equilíbrio racional entre o não egoísta à vida e uma procriação sem planeamento? Vai ser difícil sem uma conversão espiritual de cada pessoa e sem políticas familiares pró-vida.

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