“Escolhemos ir à Lua”!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Maria Fernanda Romba

Há 40 anos, a 20 de Julho, o Homem fez o, até aí, impossível – chegou à Lua!
Neil Armstrong, o comandante da Apolo 11, cambaleante na postura, mas firme na decisão, pisava a Lua, esse planeta que, até então, apenas povoava o nosso imaginário surgindo, amiúde, branco e etéreo, nas palavras rebuscadas dos poetas. O feito de que, durante largos anos, alguns continuaram a descrer, tornando, mesmo, mais rico o anedotário popular, gerou um entusiasmo indescritível, com toda a gente com os olhos arregalados de espanto, pregados no écran da televisão, a preto e branco.
John Fitzerald Kennedy, o malogrado Presidente dos Estados Unidos da América, já não viu o seu sonho concretizado, mas havia-se referido a ele, em antevisão, numa frase que, mais do que antecipar o histórico acontecimento, era revelador da sua dimensão e ambição : “We choose to go to the moon” (“Escolhemos ir à Lua”).
Depois disso e independentemente dos avanços científicos inerentes, o Mundo nunca mais foi o mesmo. A partir daí, todos os sonhos deixaram de ser uma quimera para passarem a ser um direito de todos e de cada um. Se o Homem tinha chegado à Lua, não havia mais impossíveis! O que a América e o seu carismático Presidente quiseram, também, provar ao Mundo, atónito, foi que é preciso, é obrigatório, sonhar. Para o Mundo poder avançar.
Chegar à Lua, pisar pela primeira vez, solo de um outro mundo, mais do que um progresso científico, representava para as pessoas da minha geração desafiar o destino, tornar acessível o inacessível, ter ambição. Em Portugal, menos de cinco anos depois, os militares fizeram o impossível – acabaram com 40 anos de ditadura e devolveram a liberdade ao povo. O Mundo estava, mesmo, a mudar.
Passaram 40 anos sobre aquele momento único, mágico. Passaram 40 anos e os homens de hoje querem tornar banal esse momento único, indo, também eles, seres iguais a nós e não saídos da esfera reduzida, asséptica e microescópica dos cientistas, à Lua. Mas mesmo quando ir à Lua for uma coisa banal, a História continuará a registar quem deu o primeiro passo, quem teve o engenho e a audácia de iniciar o caminho. E a ambição de chegar lá.
Também Portugal que, de tão pequenino, não se acredita, ficou na História pelo engenho e audácia dos seus navegadores e pela ambição dos seus governantes. Desbravámos caminhos e sulcámos mares nunca antes navegados. Pisámos terras até então desconhecidas e demos-lhes nomes. E agigantámo-nos aos olhos do Mundo. Parece que não foi empresa fácil. Mas não desistimos, nem perante o Cabo da Boa Esperança, apelidado, justamente, de Cabo das Tormentas…
Hoje, as coisas também não estão fáceis. É, quase, como se a cada esquina surgisse um novo Cabo das Tormentas, tais as borrascas que a toda a hora se abatem sobre a embarcação e ameaçam derrubar mastros e rasgar velas. O cais continua pejado de “velhos do Restelo” que bloqueiam vontades, adivinham terramotos e vaticinam o caos.
Apesar das tempestades, o povo confia no timoneiro. Porque os que pertencem à estirpe dos grandes Homens, nunca abandonam o navio e sabem manter o rumo e chegar a bom porto. Porque têm visão estratégica. Sonham mais alto. E têm ambição.
Desbravados que estão os mares, há que “escolher ir à Lua”!

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