Das mulheres

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

António Revez

<b>1. Mimetismo</b>
As mulheres gostam de se imitar, nutrem aquela inveja tão especial umas pelas outras, como se a afirmação de cada uma só fizesse sentido exactamente pela equivalência ou superação do que invejam nas outras. Mas o zénite da realização feminina está na equiparação ao que entendem ser as qualidades típicas do macho: exercício do poder, demonstração de liderança. E a excepcionalidade dessa realização está na obtenção gloriosa do que há de mais abominável no que elas se convencem ser qualidades: o exercício autoritário do poder, a demonstração da liderança autista e discricionária.
Uma mulher que desempenhe cargos e funções de poder ou de liderança e mantenha quase inalterável a sua enternecedora feminilidade, a sua sensibilidade maternal, a sua mestria harmonizadora e apaziguadora, a sua perseverante crença nas virtudes do diálogo, sente-se uma parva, uma risível criatura de saias, uma aberração de fragilidade e compaixão, uma frustrante e desesperada tola que até se dá ao cúmulo de verter uma lagrimazita em momentos de maior tensão ou discórdia.
Uma mulher que desempenhe cargos de poder e liderança sonha atormentada com o seu défice: falta-lhe o pénis. O garboso símbolo da resolução pela força, a potência bruta na sua amplitude irracional e instintiva, a vitoriosa irrupção de testosterona, surda, muda, mas veemente porque explode para dar lugar à obediência. Uma mulher que desempenha cargos de poder e liderança quer a todo o custo livrar-se da sua pele de mulher, e também, ou sobretudo, da sua essência de mulher. Muitas treinam inclusive, sem despudor, um arroto sonoro pós-imperial, outras ensaiam ordinarices para mimar os árbitros do futebol que desconhecem, outras ainda arranjam namorados tais, cordeiros mansos de avental e palavras doces, onde se vingam por serem mais mulheres do que elas.

<b>2. Maquilhagem</b>
De entre os inesgotáveis truques e recursos insidiosos ao dispor da mulher para enganar e manipular o bicho-homem, habitualmente estúpido e desatento, existe um particularmente eficaz e infalível: a maquilhagem.
Poderia dizer-se com propriedade científica e comprovação moral, que a maquilhagem consegue transformar uma mulher penosamente feia ou vulgar, num ser com uma aparência agradável e até atraente. E isto é a tal ponto vantajoso para a mulher, que, graças a uma boa maquilhagem, muitas feias e vulgares seduzem, conquistam e mantém sob o seu domínio, machos interessantes. O macho deixa-se enfeitiçar por aquela miragem superficial, desconsidera a prudência que deve ter nestas coisas das mulheres, e pensa que o que vê é mesmo o que vê, tal como uma égua é uma égua ou uma vaca é uma vaca. E, imagine-se, pode até viver feliz com este logro a dormir na mesma cama com ela, e comer à mesma mesa, e partilhar o mesmo sofá. Sem dar conta que outro ser bem diferente se oculta sob outra imagem, mas essa sim autêntica e genuína.
É verdade que um dia, há sempre um dia, o macho convencido e ludibriado pelo efeito hipnótico e maligno da maquilhagem, onde pontifica o rímel, a base, o batôn, e um infindo manancial de cremes para disfarçar ou compor artificialmente as imperfeições, surpreende-se com uma diarreia matinal extemporânea e entra disparado na casa de banho onde a fêmea enganadora se entrega escondida à composição destas poções de bruxaria. E aí descobre tudo, a mentira, a verdade, a realidade crua e dura, um balde de água fria, um gelo que se abate sobre a inocência, sobre a presunção de beleza e serenidade que afinal não passavam de meros artifícios rascas e alguns até comprados na loja dos chineses. Este dia, existe sempre este dia na vida de uma mulher maquilhada, muda tudo, inapelavelmente. O macho desiludido nunca mais é o mesmo, torna-se incrédulo e desconfiado, e a mulher desmascarada, por muito que suavize a porcaria da maquilhagem, ou que mude de maquilhagem, também nunca mais é a mesma, vergada sob a culpa mortífera da farsa, destroçada pelo embate e revelação que tudo obriga a reavaliar.
Por isso mesmo, caríssimos machos ingénuos, um conselho inchado de sapiência, a bem da felicidade entre as espécies: logo no primeiro encontro, juntamente com aquela prendinha ridícula e o paleio de engate normal, embebedem bem a fêmea e com ela já nas últimas, puxem da lata de diluente ou decapante, e esfreguem bem o rosto da fulana. A partir daí, o problema de aceitarem ou não o que vão ver já é vosso.

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