Campo de oportunidades

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

David Marques

Nos próximos tempos vários são os campos em que podemos apostar de forma séria e empenhada para construir boas oportunidades de emprego, de rendimento e de realização. É em alturas como esta, ditas de crise, em que o sentimento partilhado pela maioria das pessoas é de preocupação e de receio, que importa modificar o discurso e a forma como encaramos o que nos rodeia. Não só porque isso é importante em termos psicológicos, porque mudar a nossa maneira de ver as coisas é um importante ponto de partida mas, sobretudo, porque em termos práticos, é nestes momentos que as oportunidades estão mais ao nosso alcance, porque outros receiam agarrá-las ou porque não estão despertos para elas. Esta realidade é tão evidente para aqueles que precisam desesperadamente de uma oportunidade como para os outros que simplesmente a desejam, como um novo passo na sua vida. Nestes momentos, costumam suceder duas situações: ou temos muita dificuldade em resistir à tentação de querer inventar de novo a roda ou procuramos reproduzir de forma simples o que resulta com os outros. A primeira opção conduz-nos raramente à solução. Quanto à segunda, é verdade que ao olhar à nossa volta vemos que existe quem não deixe de procurar, quem arrisque enfrentar novos desafios e que seguir estes exemplos, perceber as suas dinâmicas, pode ser uma linha que se pode seguir. Contudo, devemos fazê-lo sempre de forma crítica. Quer sejam bons exemplos próximos de nós ou com base em projectos desenvolvidos noutras latitudes e noutros horizontes, a nossa perspectiva deve ter em linha de conta algumas preocupações: quais as áreas profissionais em causa, que mercados, quais as circunstâncias de partida, entre outras.
Feita a avaliação destas variáveis, não podemos descartar aquilo que é a análise do contexto: o contexto interno, as nossas capacidades, as nossas competências, o nosso capital e o contexto externo, o mercado, os recursos disponíveis à nossa volta. É normalmente nesta fase que surgem os principais obstáculos. Encaramos como praticamente insuperáveis problemas como a ausência de capital ou a falta de poder de compra dos mercados locais. “Sobretudo, aqui nesta região” dirão os que me lêem. É um facto que os recursos de que dispomos exigem uma abordagem criativa quando nos localizamos em regiões rurais do interior, em acelerado despovoamento e bastante envelhecidas. Mas é também verdade que certas vantagens competitivas destes territórios não são devidamente valorizadas. É em factores como o espaço e o tempo, que detêm um valor económico e social inestimável, que regiões como o Alentejo ganham quando comparadas com outras regiões, mais urbanas. A capacidade de albergar aquilo que se tornou impossível de manter nas cidades pelo elevado preço do solo, a cada vez maior proximidade dos grandes centros por via das tecnologias de informação, o ambiente de serenidade e de calma que é propício a actividades mais exigentes no domínio da criação, das artes, o tempo que não se perde nos transportes, entre tantos outros exemplos que conferem importante papel a estes dois factores. Por outro lado, o sol e a paisagem, a cultura e o património rural, criam inegáveis oportunidades em áreas específicas como o turismo, a saúde e a transformação agro-alimentar. Estes são apenas alguns exemplos, contudo, mais poderão resultar duma sábia e original combinação de competências e de saberes: a criação artística e/ou o artesanato conciliados com o alojamento turístico, a animação cultural e de espaços museológicos associados à gastronomia, o imobiliário de pequena escala associado ao turismo, entre outras.

Naturalmente, é incontornável que procuremos identificar áreas de negócio que nos interessem, que nos motivem. As oportunidades só o são quando respondem ao que existe e ao que se deseja dentro de nós.

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