As asfixias da d. Manuela

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Monteverde

A d. Manuela nem chega a ser castiça. Vai enjoando. Esta senhora que pretendeu construir a imagem da “Dama de Ferro” à portuguesa, falhou estrondosamente e não passa afinal de uma mulher medíocre, oportunista e em vez do ferro, tem afinal muita lata.
Recordemos o seu percurso! Ninguém se lembra dela antes do 25 de Abril. Nomeadamente a lutar contra a ditadura e a censura. Se calhar na altura até lhe fazia jeito. Por outro lado, falar contra os governos da ditadura fazia correr riscos. Agora é fácil falar em “asfixias”, pelo menos enquanto a senhora não chegar ao poder e não suspender a democracia durante seis meses…
Depois a senhora foi secretária do Orçamento e ministra das Finanças de Cavaco Silva, onde criou o “pagamento por conta” que agora quer eliminar e se fartou de vender erário público para equilibrar o défice. Foi ainda ministra da Educação, “proibindo” os professores de expressarem as suas opiniões. São esses mesmos professores com quem a senhora se mostra agora tão solidária. E o resto da acção da senhora nos governos cavaquistas e do próprio Cavaco foi tão relevante que os portugueses correram com eles depois de uma maioria governativa. Amuada, a senhora saiu do país e foi trabalhar para um banco espanhol, numa rara manifestação de patriotismo luso e fervor anticastelhano, agora confirmado com as suas posições sobre o TGV.
Mas a senhora lá resolveu voltar ao nosso país e começou com a cruzada de querer moralizar o seu partido. Para ela (e se calhar bem), era preciso afastar os Barrosos, os Santanas Lopes e toda a mediocridade dos seus apoiantes. Conseguido o desiderato e conquistado o partido, eis que surpreendentemente a senhora vai desencaixotar o Santana para Lisboa, alguns apoiantes envolvidos em processos judiciais para deputados, enquanto afasta das listas todos os seus adversários como Pedro Passos Coelho e outros. Este ensaio de “asfixia interna “ no partido é, de facto, a imagem de marca desta mulher, falsa, perigosa e intolerante.
Mas é no apoio a Moura Guedes que a lata da senhora atinge a paranóia, muito bem acompanhada por Aguiar Branco, esse paladino pela luta das liberdades e da educação.
É preciso dizer com clareza e sublinhar: Manuela Moura Guedes era um lixo televisivo, autora de um Jornal Nacional baseado na maledicência, na mentira e em acusações gratuitas sem qualquer fundamento. Começou a vida profissional sem curso de jornalismo, apoiada na agressividade fácil e desonesta, apoiada depois pelo sr. Eduardo Moniz, produtor de programas inqualificáveis como os “Big Brothers”, que davam share elevado à custa da exploração do baixo grau cultural das pessoas das audiências televisivas. Quanto pior melhor, era o lema deste casal inqualificável, para quem todos os meios servem, desde que dêem share. E é esta gente que a D. Manuela agora defende como paladinos da liberdade. Ao nível das frequentes ordinarices do Alberto João da Madeira, onde a senhora foi encontrar as mais amplas liberdades…
Tudo isto é demasiado patético e grave, mas felizmente as últimas sondagens mostram que o país vai conhecendo melhor e ficando farto desta senhora, que vai conseguindo esconder o pior que tem para oferecer aos portugueses. É que para além de algumas nacionalizações de que vai falando ao nível da saúde, educação e segurança social, a d. Manuela é claramente uma adepta da economia de choque de Milton Friedman, da chamada escola de Chicago, aplicada nas situações pós-crise, que se caracteriza precisamente pelos cortes nos benefícios e apoios sociais do Estado, e na liberalização total da economia. Esta terapia económica tem gerado, nos países onde foi ensaiada, um brutal aumento do desemprego, a criação de fortunas obscenas a par do aumento da pobreza, e em muitos casos a repressão social que podemos prever para o país, depois de vermos o que fez aos seus opositores dentro do seu próprio partido.
Mas esta mulher, que no seu estilo físico desajeitado, procura demonstrar firmeza numa carantona que não cativa ninguém, não está sozinha na ferocidade dos seus ataques ao Governo socialista. Apesar dos resultados que começam a ser visíveis na recuperação da crise e que atestam o esforço patriótico e acertado da governação de José Sócrates, o que vemos da oposição é de facto repugnante em termos de oportunismo.
Não vou perder tempo com o sr. Jerónimo, as políticas de direita e o reforço da CDU. As “doenças” não se tratam nos jornais. Também vou passar à frente das vozes esganiçadas do “Paulinho das Feiras” e do sr. Paulo Rangel, espelhos do que há de mais soez na argumentação política. Sublinhava apenas a coerência do dr. Francisco Louçã, que vai acabar com os PPR(s) no programa do seu Bloco, mas comprou à socapa 30.000 euros de PPR(s) para si. Aliás, este partido que ninguém sabe bem o que é, conforme o país o for conhecendo melhor, vai certamente ter o destino do PRD do general Eanes ou dos 18% de eleitorado de Otelo ( há ainda quem se lembre!).
Mas em termos de oposição, tem sido Cavaco Silva o grande incendiário de serviço, num país onde os fogos florestais são estimulados pelo clima proporcionado pela classe política. E apesar da demissão apressada do seu assessor Fernando Lima, este Presidente das declarações solenes ao país não desmente que foi ele quem deu ordem para inventar as pretensas escutas do Governo ao Palácio de Belém e diz que depois das eleições vai pedir informações…Claro que todos vamos percebendo porque é que alguns não sabem quantos cantos têm <b><i>Os Lusíadas</i></b>. Diz o Presidente que não vai interferir nas eleições, nem faz declarações político-partidárias. Estamos entendidos e a d. Manuela concorda com o sr. Presidente. Mesmo asfixiada.
Entretanto, e neste período eleitoral, multiplicam-se os apelos dos vários sindicatos comunistas, na Internet e fora dela, para que os associados não votem no Governo de Sócrates num atropelo ilegal e descarado do papel dos sindicatos. E claro que o cordeirinho do sr. Jerónimo nada tem a ver com isto. Nem com as manifestações corporativas marcadas cirurgicamente para a campanha eleitoral.
Resta por fim perguntar: afinal, perante uma crise mundial de enormes dimensões, em que este Governo conseguiu minimizar efeitos bem mais graves do que os verificados noutros países, a par de medidas de apoio social e de apoio às pequenas e médias empresas, e outras, que mais teriam feito os partidos da oposição? Fariam como a d. Manuela, que diz que mais importante que as ajudas sociais é a criação de riqueza para acabar com os pobres. Ela que foi secretária do Orçamento e ministra das Finanças e ninguém se lembra da riqueza que então criou.
Esta “rapaziada” da oposição está esquecida que depois da morte de Sá Carneiro, o aproveitamento televisivo miserável que a direita fez do funeral daquele político para a eleição à força, do seu candidato Soares Carneiro, teve a reacção inversa e adequada do povo português.
Julgo que no próximo dia 27 a resposta popular vai premiar quem serviu Portugal em condições difíceis e castigar os que em lugar de apresentar ideias apenas vociferam.

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