Transparência e integridade

Quinta-feira, 11 Julho, 2013

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Entre demissões irrevogáveis que o deixaram de ser em apenas quatro dias e ondas de calor que afugentaram tudo e todos para as praias, passaram um tanto ou quanto despercebidos os resultados revelados pelo Barómetro Global da Corrupção, realizado em Portugal pela associação cívica Transparência e Integridade.
De acordo com a sondagem, oito em cada 10 portugueses acreditam que a corrupção aumentou nos últimos dois anos. Mais: 78% dos portugueses considera que a corrupção piorou desde 2010 e 70% diz que esta é um problema “sério ou muito sério” no sector público. Outro dado importante é o facto de 60% dos inquiridos reconhecer a importância dos contactos pessoais – vulgo “cunha” – para obter serviços, resultados ou acelerar procedimentos na administração pública.
Em síntese, a grande maioria dos portugueses inquiridos no âmbito deste barómetro condena veementemente certos comportamentos ínvios que todos os dias acontecem em Portugal. Mas o que é certo é que estes continuam a ser praticados! Um paradoxo comportamental que é, ao mesmo tempo, um dos grandes desafios que Portugal enquanto entidade colectiva tem no horizonte, a par de uma reforma estrutural da pesada máquina do Estado.
Só mudando de mentalidade o país conseguirá dar o necessário passo em frente e deixar para trás as amarras que o prendem a um imobilismo assente em vícios antigos. Mais do que nunca, Portugal (e os portugueses) precisa de estabelecer um novo pacto com o Estado… que afinal somos todos nós! Uma relação que tenha leis mais ágeis e justas, mas onde estas sejam respeitadas e cumpridas sem “desvios” a meio do caminho porque dá mais jeito. Ou seja, uma sociedade com mais transparência e integridade. É disso que o país mais precisa actualmente!

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