Tudo começou… nas páginas do “CA”! Foi a partir de uma crónica de opinião que escreveu para o nosso jornal, há cerca de seis anos, que o jornalista António Lúcio começou a gizar a história que havia de dar origem a O Fio da Memória, o seu romance de estreia e que foi apresentado no início de junho na Feira do Livro de Lisboa.
“Enquanto a escrevia [a crónica], senti que aquela história tinha potencial para crescer e ganhar uma dimensão mais ampla, dando origem a um romance”, conta ao “CA” António Lúcio, atual diretor-geral da Rádio Pax, de Beja.
De acordo com o autor, a narrativa “acompanha o regresso do protagonista à aldeia alentejana da sua infância”, onde, “através das suas recordações”, acaba por ser “conduzido por um Alentejo marcado pela dureza da vida rural, pelas marcas do Estado Novo e pelas profundas transformações decorrentes da Revolução de Abril”.
António Lúcio admite que a “inspiração” do livro é a vida, desde as pessoas que conheceu às histórias que ouviu contar ou as experiências que foi acumulando ao longo dos anos.
“No fundo, este livro é feito de memórias, sentimentos, cheiros, paisagens e emoções. É uma obra de ficção, mas alimentada por fragmentos de vida que, de uma forma ou de outra, ficaram guardados na memória e acabaram por encontrar o seu lugar nesta história”, afiança.
Mas apesar de ser um livro de ficção, António Lúcio não esconde que a sua “veia” de jornalista também se faz sentir ao longo das páginas de O Fio da Memória.
“Este livro é feito de memórias, sentimentos, cheiros, paisagens e emoções. É uma obra de ficção, mas alimentada por fragmentos de vida que, de uma forma ou de outra, ficaram guardados na memória e acabaram por encontrar o seu lugar nesta história.”
“O jornalismo ensinou-me a procurar o lado humano dos acontecimentos. A diferença é que, na ficção, tive a liberdade de aprofundar emoções, sentimentos e motivações das personagens de uma forma que o trabalho jornalístico nem sempre permite”, diz.
Recuando até um passado bastante presente na região, o romance de estreia de António Lúcio não deixa também de suscitar um exercício de reflexão sobre aquilo que foi e é o Alentejo. Para o bem e para o mal!
“Naturalmente, ao longo da narrativa surgem temas ligados ao Alentejo, às mudanças sociais, às transformações trazidas pela Revolução de Abril e à forma como essas mudanças afetaram a vida das pessoas. Mas não procurei fazer uma análise histórica, política ou sociológica da região, nem apresentar respostas ou conclusões definitivas”, frisa.
Por isso, continua, o veredito final pertencerá a cada um dos leitores. “Cada um fará a sua própria leitura da obra, de acordo com a sua experiência, sensibilidade e visão do mundo. Se o livro suscitar reflexão sobre o passado, o presente ou o futuro da região, ficarei satisfeito, mas o meu papel, enquanto autor, foi sobretudo o de contar uma história e deixar ao leitor a liberdade de interpretar o que nela encontra”, reforça.
Apesar de O Fio da Memória só agora chegar às bancas, António Lúcio já tem um segundo romance concluído, baseado numa história verídica passada no Litoral Alentejano, perto da Zambujeira do Mar.
“É um relato na primeira pessoa, com uma abordagem diferente da deste livro, mas igualmente marcado pela dimensão humana e emocional dos acontecimentos”, conta o autor ao “CA”, acrescentando: “Agora, resta perceber qual será o momento certo para o levar até aos leitores”.







