Zinedine Zidane ficará para sempre na história do futebol mundial. Entre a década de 90 e o início do século XXI, este francês de origem argelina ganhou tudo o que havia para ganhar, fosse pelos clubes por onde passou ou ao serviço da selecção gaulesa. Chegou a ser considerado o melhor jogador do mundo e ao longo de década e meia ao mais alto nível trabalhou com os mais conceituados técnicos. Até na despedida foi diferente, com a expulsão na final do Mundial de 2006 diante da Itália. Este Verão decidiu ser ele próprio treinador, mas acabou suspenso durante três meses… por não ter um curso que o habilitasse a estar no banco como técnico principal!
O caso de Zidane ilustra bem a “ditadura” a que hoje todos estamos sujeitos pelo mundo fora. Ou seja, a competência de cada um apenas se mede pelos graus académicos que ostenta. Se for licenciado já não é mau. Pós-graduado? Muito bem. Mestre? Magnífico! Já o saber fazer, a ponderação e os anos de experiência prática (ou as épocas passadas ao lado dos melhores jogadores e treinadores do mundo, como no caso de Zidane) de nada servem perante um canudo, qual “passaporte dourado” para o êxito absoluto.
Ora esta é uma visão completamente errada. Que a formação é indispensável não há dúvidas. Que a capacitação de cada um deve ser uma prioridade também. Mas o saber fazer nunca pode ser relegado para um plano secundário e menor perante o domínio da teoria. Saber fazer é uma mais-valia que vai para além do conhecimento que 1+1 são 2. Saber fazer é um tesouro em forma de experiência que jamais poderá ser desaproveitado. Porque se só o saber fosse suficiente, talvez as contas em Portugal batessem mais vezes certo.

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