Robin dos Bosques, precisa-se!

Quinta-feira, 23 Outubro, 2014

Napoleão Mira

empresário

Oito da manhã. Entro no carro e dirijo-me para o trabalho.
Notícias matinais. Os combustíveis vão baixar uma barbaridade.
Sete cêntimos a gasolina e três o gasóleo. Exulta o profissional radiofónico.
Esfrego mentalmente as mãos e autoalento-me com a boa nova.
Penso mesmo que a coisa já teve dias piores, ainda por cima está um dia admiravelmente belo.
Notícia seguinte: os impostos sobre combustíveis vão aumentar cinco cêntimos em Janeiro.
O sorriso que se me desenhava no rosto esvaneceu-se como que por magia.
Sinto uma coisa a subir-me das entranhas. É o bicho da raiva que acordou dentro de mim e se demonstra agora através de insultos e murros no pobre do volante.
Diz-me ainda a voz do locutor do outro lado do espectro que ir ao supermercado pode vir a ficar mais caro.
Já nada me admira. Será que vão colocar portagens à entrada dos supermercados? Dou comigo a ridicularizar o pensamento. E não é que vão!
Cobram-na em sacos plásticos. Dez cêntimos por cada um. Vinte paus, dos antigos.
O senhor da voz redonda ainda não tinha terminado o seu périplo pelas más notícias. Dizia ele que o governo se prepara para aumentar o IMI.
Então não o aumentou desmesuradamente o ano passado?
Pois aumentou! Mas os proprietários serão seguramente a franja da população que aceita mais facilmente, ou seja, sem tugir nem mugir, as medidas que lhe forem impostas. Só que a maior parte deles são proprietários de coisa nenhuma.
São iludidos das quimeras bancárias. São inquilinos dos bancos para o resto, ou grande parte, da sua vida. Ao senhorio banco cabe-lhe receber a renda. Ao inquilino/proprietário toca-lhe o pagamento das obras dentro e fora de casa, IMI, reuniões de condomínio etc…, mas isso são contas de outro rosário!
Com este aumento, deixaremos de ter um senhorio, mas dois!
Este imposto, com o novo aumento que se adivinha, deixará de o ser. Passará à categoria de renda, supondo-se que em média os portugueses venham a pagar ao Estado entre 70 a 100 euros por mês, só porque embarcaram no sonho de ter uma casa sua.
E assim de corte em corte, de imposto em imposto, de violação em violação, vai-se destruindo a alma de um povo. Faz-se em prol de uma cegueira confiscadora, de uma cartilha aplicada à la xerife de Nottingham.
O curioso é que, quantos mais impostos se cobram, menos dinheiro há nos cofres!
Não será caso que estejamos a necessitar de um Robin dos Bosques?

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