O mundo que nos sobra…

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Miguel Rego

arqueólogo

A crónica desta semana estava direccionada para tocar três ou quatro situações que ocorreram na vida pública nos últimos 15 dias. Mas depois de ler a entrevista com Hans Schellnhuber (HJS), director do Instituto Potsdam de Investigação sobre Impactos Climáticos, dada à estampa no “Público” de segunda-feira, 20 de Outubro, decidi alterar a narrativa a que me propunha. Estava a pensar falar da espécie de brincadeira de putos que decorreu na Assembleia da República (AR) com a proposta de Orçamento para 2009. O ministro das Finanças entregou um CD com o dito conteúdo durante a tarde na AR, que afinal não estava “completo”, de que só chegariam os mapas à noite e que o restante documento no dia seguinte. Uma questão de somenos, para alguns, que ficou resolvido com um pedido de desculpas. Coitado do Jaime Gama… Também me apetecia falar da extraordinária, recambolesca e maquiavélica estratégia do Ministério da Educação em “oferecer” os famosos Magalhães, que “nós” inventámos, mas que afinal já existiam, aos meninos do 1º ciclo, com Internet e tudo. Oferta que afinal também não está completa. As câmaras municipais e os pais vão ter de pagar muito mais do que a enfadonha campanha pró-Magalhães anuncia. O mais interessante é que quem decide, decidiu sozinho e, através das crianças, envia recados aos pais e estes, por sua vez, vão às Câmaras pedir batatas. Claro. E fazem muito bem. E estas agora, com as eleições à porta, fazem o que a senhora ministra manda. Para quê chatices em reuniões e perdas de tempo. Simplex, meus senhores, simplex. Mas isto é uma questão de somenos, quase mesquinha. Menos importante que a eleição de um alentejano, de Serpa, como deputado regional, nos Açores, que com pouco mais de setenta votos eleva as cores da Monarquia aos mais alto pedestal insular. Há República mais virtuosa que esta? No pouco espaço que nos resta volto ao início da crónica. Conselheiro de Ângela Merkel e recentemente da Comissão Europeia, pasme-se, Hans Schellnhuber defende que o Sol é a solução para as questões energéticas e não a Energia Nuclear, ao contrário do que apregoam os iluminados desta República do lucro e do dinheiro fácil. Segundo HJS, é profundamente ilógico que se pense apenas no lucro do imediato sem pensar o mundo a dez, vinte anos, e que não se reflicta, invista e olhe as alterações climáticas como uma prioridade. Dentro de 20 anos o Pólo Norte pode não ter gelo e isso levará ao aumento das temperaturas em cerca de 10º. Tal alteração modificará por completo o nosso ecossistema, agravado com a possibilidade dos mares subirem cerca de sete metros caso desapareça por completo o gelo da Gronelândia. Conseguimos imaginar a nossa costa com mais sete metros de água? Nós todos temos uma enorme responsabilidade sobre este fenómeno quase irreversível e uma interrogação sobre a qual temos que reflectir urgentemente. O que estamos a fazer ao amanhã e aos nossos filhos? O que é que andamos a fazer?

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