O (mau) exemplo do Ministro Calvão

Quinta-feira, 5 Novembro, 2015

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Na página seis desta edição do “CA” apresentamos-lhe uma conversa com Liliana Valente, a jornalista natural de Castro Verde que acaba de editar – juntamente com Filipe Santos Costa – um livro sobre os anos de ouro de “O Independente”. À época, o cavaquismo estava no auge e Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso eram verdadeiros “ases” na arte de desancar ministros e outros responsáveis políticos. Talvez por isso não deixe de ser curioso especular o que pensará o político Portas sobre o colega ministro da Administração Interna, depois de este ter ido ao Algarve justificar a intempérie do passado domingo com a vontade de Deus e, logo de seguida, fazer de “agente de seguros”. Porque o que pensaria (e escreveria) o jornalista Portas todos deduzimos com algum grau de certeza…
Mas vem tudo isto a propósito dessa infeliz intervenção de Calvão da Silva aos jornalistas e aos comerciantes durante a visita que fez a Albufeira, onde avaliou no terreno os estragos causados pela enxurrada que caiu dos céus. As palavras do ministro revelaram uma enorme falta de bom senso perante o que tinha pela frente e, sobretudo, uma gigantesca falta de habilidade política para se debater com um cenário de tragédia.
A fraca prestação de Calvão da Silva parece assim confirmar aquilo que muitos disseram e escreveram depois de Pedro Passos Coelho apresentar o seu novo Governo: que era um elenco apenas para cumprir calendário, sem nomes fortes e com pouco peso político para assumir a governação do país. E neste caso concreto, esperemos bem que assim seja, pois deixar a gestão política das forças de segurança e da protecção civil nas mãos de quem parece colocar o destino nas mãos de Deus não augura nada de bom.

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