O (des)fado do interior

Quinta-feira, 22 Novembro, 2018

Carlos Pinto

director do correio alentejo

De quando em vez o país “urbano” desperta para a existência de um território que vai para além de Lisboa e do Porto e a que todos chamam “Interior”. No último ano, em Junho e Outubro, os fortes incêndios que assolaram a região Centro criaram uma onda de solidariedade e de reptos em prol das zonas afastadas do litoral. Houve discursos, debates e muitas boas intenções. Mas chegada a hora da prática há sempre um grão a emperrar a engrenagem, mesmo que a ordem venha das mais altas instâncias do país. Porque muitas vezes a inoperância do próprio Estado não deixa quem de direito governar…
Passaram-se meses e eis o país novamente a olhar com dor e solidariedade para o Interior, neste caso para o Alentejo, fruto da tremenda tragédia ocorrida esta semana numa zona de pedreiras no concelho de Borba. Num ápice surgiu um manancial de especialistas a perorar sobre o que não foi feito e sobre os estudos que existem e a que ninguém ligou. Mas o impensável aconteceu mesmo e uma estrada foi engolida por um mar de lama com mais de 30 metros de profundidade.
É este o (des)fado do Alentejo – e de todo o Interior. Todos reconhecem a necessidade de medidas concretas para esbater as cada vez maiores diferenças (em todos os planos) que existem entre o litoral e os territórios de menor densidade populacional. Mas poucas vezes se conseguem concretizar ideias e acções com princípio, meio e fim. Porque o Interior só desperta interesse nestas alturas de drama. No resto do tempo, quanto mais não vale andar a discutir o IVA das touradas, o que o “X” disse ao “Y” sobre o “Z” nos corredores do Parlamento, ou os contornos de um homicídio passional.

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