Para quem está vivo nada é definitivo. Às vezes parece que sim, às vezes a acalmia permite olhar para a vida e percebê-la e desfrutá-la sem perguntas, sem dúvidas, sem queixumes. Às vezes as coisas estão no seu lugar, no sítio que nós queremos, tudo se completa e encaixa, tudo é simples e cómodo. De dia vive-se na plenitude e de noite dorme-se descansado. E harmonioso e aveludado o tempo vai passando por nós.
Mas para quem está vivo nada é decisivo. E nada é irrefutável porque nós não controlamos nada, nós não temos capacidade para nos opormos à complexidade da vida, para fazermos frente às milésimas equações que a existência nos coloca. Bem que o queremos, bem que achamos que basta sermos donos de uma verdade e de uma perspectiva, mas não, tudo o que nos rodeia é movido por acasos, por outras verdades, por outras perspectivas, por outras gerações, por outros modos de vida.
E nós que nos julgamos deuses de uma certa forma de criar o mundo, principalmente a família e o futuro, caímos do pedestal sempre que a nossa realidade se parte. E sentimos raiva e dor e desilusão, maldizemos o destino e amaldiçoamos a nossa pouca sorte. E perante a evidência, perante o abismo, caímos de joelhos e, quem acredita deita as mãos aos céus, dizemos que outra vez não. Que já chega, que não merecíamos tanta perda.
E é dentro desse fado fundo que choramos. E choramos muitos sóis e muitas luas até não termos mais nada para chorar. E como para quem está vivo nada é definitivo, nem sequer a desgraça absoluta, aos poucos, tocando em mãos, dando mãos, tocando em braços, dando abraços, vamos ressurgindo, vamo-nos reerguendo.
Sabemos que não temos nada, que partimos novamente do nada, do zero, do vazio das almas, da ausência de horizonte, do desespero de abrir os olhos e não ver nada, sabemos que vai ser duro fazer o caminho todo outro vez, sabemos que a desconfiança e o cansaço surgirão, sabemos que vamos ter de subir novamente uma montanha com pedras às costas. E por isso, por muito que nos possa custar, voltamos ao sempre princípio para resgatar aqueles que amamos. Nenhum há-de ficar para trás.

Concelho de Ourique “na rota” do Mundial de gravel
Cerca de 1.000 atletas de 34 países são esperados na segunda edição do UCI Alentejo Gravel, prova que se realiza no concelho de Ourique neste







