Luís Figo e o ser português

Sexta-feira, 6 Fevereiro, 2015

Carlos Pinto

director do correio alentejo

A candidatura de Luís Figo à presidência da FIFA tem dado muito que falar! Alguns (poucos) elogiam o perfil do antigo capitão da Selecção Nacional, destacam as competências de liderança que adquiriu com as camisolas de Barcelona, Real Madrid ou Inter de Milão e acreditam na sua vontade de levar a mudança ao organismo máximo do futebol mundial. Os restantes (a grande maioria, onde se inclui alguma imprensa) preferem o estilo truculento das conversas de café, “acusando” Figo de só estar interessado no chorudo vencimento e nas regalias douradas que o cargo lhe pode oferecer.
Esta última maneira de encarar a realidade revela bem o quanto (ainda) somos uma sociedade atrasada, onde a mesquinhez e a inveja se sobrepõem à vontade de vencer e ao querer fazer. Na sua grande maioria, os portugueses gostam de ficar no seu canto, olhar para o lado e desdenhar de quem lhes está mais próximo. Confundem ambição com pretensiosismo. Adoram ver o fracassar dos outros. Aplaudem o insucesso. Encaram confiança como arrogância. Sorriem a cada queda que observam. No fundo, são apóstolos da máxima do “quanto pior melhor”!
O resultado está à vista: hoje são poucos os que querem fazer alguma coisa em prol de todos e da comunidade. E se o fazem, ou são imunes aos comentários jocosos e à desconfiança endémica de só estarem agir por proveito próprio ou acabam por baixar os braços e desistir. E é isto que tem de mudar em Portugal. Urgentemente. Caso contrário, dificilmente passaremos da “cepa torta”.

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