Em defesa do Baixo Alentejo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Pulido Valente

O Alentejo único só exist(e)iu numa visão mítica e só faz sentido hoje em dia como marca/imagem promocional turística, à semelhança do que acontece com Portugal, por conveniência em termos de marketing no mercado turístico.
A realidade vivida e sentida, nomeadamente, pelos habitantes do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, e ignorada pelos que só a conhecem superficialmente ou academicamente, sempre evidenciou a existência desta região específica com características e identidade muito próprias e significativamente diferenciadas do Alentejo Central e Norte. Por exemplo, há muito mais afinidades e cumplicidades de longa data com os territórios e as gentes da Serra Algarvia do que com as de Portalegre, e, no entanto, nunca se ouviu ninguém defender a existência ou a criação de uma região Alengarve.
Em última análise o que queremos evidenciar/demonstrar é que a actual e a futura proposta de divisão territorial (um só Alentejo) sempre foi artificial e criada a partir do “centro” enfermando, por isso, de uma visão contrária ao principio da descentralização/regionalização e, por consequência, perversa no que respeita ao edifício da administração pública e ao planeamento territorial.
Quando cada vez mais se fala numa nova abordagem territorial ao desenvolvimento regional (veja-se, por exemplo, o que se está a passar nos territórios transfronteiriços, ou com a integração da Lezíria do Tejo no Alentejo) não faz qualquer sentido delimitar os espaços administrativos em 5 regiões plano com base num modelo de planeamento tecnicamente já desactualizado e ultrapassado, até pela própria realidade hoje muito mais complexa.
Que os baixo-alentejanos do Partido Comunista, por mera contabilidade eleitoral com esperança de poder vir a “alimentar-se” e “reproduzir-se” a partir do governo regional, defendam, por imposição das orientações do centralismo democrático, uma só região Alentejo é fácil de perceber…já não se compreende nem se aceita é que outros que sentem no dia a dia a necessidade absoluta da criação de uma região Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (com capital em Beja) para que este território tenha futuro promissor abandonem este projecto só porque nos gabinetes de Lisboa se decidiu, sem nos consultarem, de outra forma e contrariamente à opinião expressa dos mais directamente afectados (convêm não esquecer o resultado do referendo nesta região: sim à regionalização, não a um só Alentejo).

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