Esta semana ficou a saber-se que no início de Fevereiro um idoso com doença oncológica esteve seis dias nos corredores das Urgências do hospital de Beja até ser finalmente transferido para uma cama. Leu bem: foram seis dias, não seis horas! Ou seja, como se não bastasse o seu quadro clínico, este paciente ainda teve de esperar quase centena e meia de horas numa qualquer maca até ser devidamente internado num dos pisos da principal unidade hospitalar da região, com as consequentes mazelas (sobretudo psicológicas) que tal situação encerra.
O caso motivou uma reclamação de familiares do paciente e foi denunciado pelo PCP, tendo a administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo já aberto um inquérito para averiguar o que se passou e apurar responsáveis pelo sucedido [ver notícia na página 7 desta edição do “CA”]. Mas se haverá responsabilidades individuais em todo este caso, a culpa maior está na política de saúde que tem sido seguida em Portugal nos últimos dois/ três anos, onde os números parecem ter cada vez mais peso em detrimento da dignidade humana e do direito de todos termos acesso a cuidados de saúde com qualidade.
É certo que há reformas por fazer na área, mas – ao contrário de outros sectores – na Saúde não se pode pensar gerir em função do lucro e da rentabilidade. Na Saúde, se necessário, é preciso ter prejuízo para assegurar qualidade e eficiência. Na Saúde exige-se prontidão e capacidade de resposta a todo o momento. Porque as vidas humanas não se podem medir à luz de estatísticas de um gabinete, onde os pacientes não têm rosto e apenas representam uma parcela do todo. E uma pessoa é muito mais que uma vírgula.

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