Arrumar a casa

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

João Espinho

Parece que a expressão entrou na moda.
Vejamos por que vias.

<b>1.</b> Amílcar Mourão, em entrevista ao “Correio Alentejo” e à Rádio Pax, questionado sobre o seu primeiro ano deste mandato à frente da Comissão Política Distrital do PSD/Beja, disse estar a “<b>arrumar a casa</b>”.
Normalmente arruma-se algo que está ou se julga desarrumado. Dizer que a Distrital se encontra em arrumações é uma crítica subentendida à anterior Comissão Política que, na óptica de Amílcar Mourão, terá deixado a casa em desalinho.
Esquece-se porém o actual presidente de que ele se sucedeu a si próprio e se alguma coisa estava desarrumada se deve ao próprio e a quem o acompanhou no anterior mandato. Isto é, Amílcar Mourão tem consciência daquilo que fez, que foi muito menos do que aquilo que não fez. Sabe, seguramente, os resultados que obteve o PSD no distrito de Beja quando aceitou, sem pestanejar, a imposição da candidata Glória Marques da Costa, então inexperiente militante social-democrata e desconhecedora de qualquer projecto para a nossa região. Recordará, certamente, as posições públicas que tomou em relação à administração da Empresa para o Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB) quando a mesma se transformou em coutada privada de interesses pessoais e partidários dos seus fiéis seguidores, descurando o verdadeiro objectivo do projecto. Também não estará esquecido o actual presidente – herdeiro de si próprio – da desarrumação que foram os processos disciplinares que a “sua” Distrital moveu contra militantes da secção de Beja, por não condescenderem com determinadas actuações e comportamentos, esquecendo-se que na sua própria casa, um seu porta-voz, chamou “mentiroso” a Durão Barroso.
Arrumar a casa será, para Amílcar Mourão, abrir secções concelhias em todo o Distrito (parece que Barrancos não faz parte deste plano), olvidando-se de que esse é um projecto antigo e que se redundou, até hoje, em fracasso (a secção de Castro Verde terá sido constituída mas não se conhece qualquer actividade), a que não será alheia a sua falta de liderança e determinação em atingir os objectivos a que se tem vindo a propor.
Por fim, um dos itens da sua arrumação, será transferir as verbas devidas à Secção de Beja. Para tal basta que o presidente da referida Secção vá às reuniões da Distrital. Ora aqui, mais uma vez, Amílcar Mourão dá provas de pouca memória, pois estará obviamente esquecido de há quanto tempo essas verbas não são transferidas (dois, três anos?), muito antes, pois, do novo regulamento financeiro – em vigor desde Janeiro deste ano – obrigar a que ambos os presidentes se sentem à mesma mesa para abrir uma conta bancária conjunta.
Perante este “arrumar de casa” parece-me, pois, que o que Amílcar Mourão deseja é que a desarrumação assim continue, esquecendo-se que há muito mais PSD para além daquele que o “elegeu” e que há um Alentejo à espera de um PSD com vontade de participar no progresso desta terra.

<b>2. </b>Em arrumações parece vir a estar o Pólo de Beja da Universidade Moderna.
As notícias, que têm vindo à estampa nos órgãos de comunicação social, não são dignas de um estabelecimento de ensino superior onde se lecciona o Direito e que, só por isso, deveria ser exemplar na sua transparência e no bom senso dos comportamentos de todos os agentes que ali convivem.
De contornos nebulosos, o “caso Moderna” serviu já para se escreverem muitos dislates, se pronunciarem muitos opróbrios e se propagarem demasiados boatos.
Face ao que se sabe – que também deverá ser diminuto em relação ao que não se sabe – resta aguardar que a inteligência se sobreponha à sandice, que a ignomínia dê lugar à circunspecção e, acima de tudo, que se perceba que desta contenda não sairão vencedores, sendo seguro que os grandes derrotados serão aqueles que se deixarem embalar pela sinfonia dos predadores que, sabe-se, enxameiam em muitas instituições.
Beja necessita desta Universidade, precisa dos quadros que nela se formam e saberá recompensar aqueles que a queiram abraçar como sua cidade.

<b>3.</b> Por fim, e com direito a grandes destaques, estará em vias de ocorrer a arrumação da Direita portuguesa. Pela mão de quem? De Paulo Portas e Pedro Santana Lopes, os mesmos que, quando no Poder, mais desarrumaram a casa que habitavam.
Se a citada arrumação passar pela credibilidade dos seus intervenientes, não será certamente pela mão dos já referidos senhores que a Direita lusa encontrará o rumo certo (seja lá isto o que for na cabeça desses doutos pensadores).

<p align=’right’><b><i>(crónica igualmente publicada em
<a href=´http://www.pracadarepublicaembeja.net´ target=´_blank´ class=´texto´>http://www.pracadarepublicaembeja.net</a> )</i></b></p>

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