Amor

Quinta-feira, 5 Março, 2015

Vítor Encarnação

O amor não tem data, nem hora, nem tempo. O amor tem princípio, tem meio, mas não tem fim. É uma coisa maior do que o tempo, maior do que toda a eternidade. É o oxigénio da alma, a combustão do desejo, a natureza dos homens e das mulheres. Quando nascemos trazemos dentro de nós um espaço preparado para o amor. Mas há uns que o preenchem e outros não. Há uns que o sentem e outros não. Há uns que o dão e outros não. Quem o sente e o dá, sabe que fica logo ali por debaixo da pele e é por isso que quando nos apaixonamos pela primeira vez nos arrepiamos. Este arrepio faz parte do sistema circulatório do amor. E este sistema, que as escolas também deviam ensinar, começa pelos olhos, sobe ao cérebro, fica por lá tonto a rodopiar, sem saber o que fazer, desce, já perdido, novamente aos olhos, cai para a boca seca, enrola-se na língua, desce a garganta, vai-lhe dando nós, tomba para o peito, dá voltas e mais voltas até que se aloja no coração. Mas não há coração que consiga guardar o amor em silêncio, não há coração que o consiga prender por muito tempo. E então o amor, agora já em fogo, sai do coração e entra no sangue, invade todos os poros, grita à porta de cada átomo, canta à janela de cada célula. E depois desce às pernas, tira-lhes a força, faz tremê-las, e depois sobe ao peito, sobe à boca, agora já com água, morde a língua, assoma aos olhos, assoma às mãos, assoma à pele, assoma aos nervos, assoma aos lábios e eleva-se aos céus. O amor não tem data, nem hora, nem tempo. O amor é viver o momento de um beijo como se não houvesse amanhã.

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