Renúncia quaresmal

Quinta-feira, 5 Março, 2015

D. António Vitalino Dantas

Bispo de Beja

Como em anos anteriores, também neste vos convidamos a exercitar a partilha fraterna na renúncia quaresmal. Não confundamos a renúncia quaresmal com o donativo que, domingo a domingo, fazemos para o culto nas nossas comunidades. Ela deve ser fruto das nossas poupanças e sacrifícios ao longo de toda a Quaresma, em prol das intenções que nos foram propostas pela Diocese, para se tornar expressão da caridade de toda a comunidade diocesana.
No ano passado a nossa renúncia quaresmal somou 18.858,13 euros e foi repartida entre o fundo de emergência social administrado pela Cáritas diocesana e o Seminário Maior de Maceió, no Nordeste do Brasil. Em nome dos pobres que pudemos ajudar, agradecemos aos nossos diocesanos e pedimos que este ano sejam ainda mais generosos, sobretudo naquelas paróquias que foram menos sensíveis. Renunciando durante quarenta dias a algumas despesas supérfluas conseguiremos aliviar o sofrimento de quem não tem o necessário para viver e sentiremos a alegria de crescer na capacidade de amar.
Este ano, o fruto das nossas renúncias também será repartido. Vamos ajudar os habitantes das paróquias da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, que foram vítimas da última erupção vulcânica.
Vamos também ajudar a custear as grandes obras em curso na Sé Catedral de Beja, a igreja mãe onde o bispo preside às celebrações principais ao longo do ano. Estas obras constam de:

– Renovação integral dos pavimentos, das coberturas e da torre sineira;
– Harmonização de todo o conjunto edificado, interior e exteriormente (espaço litúrgico, sacristias e salas), com novo reboco e pintura;
– Reformulação do guarda-vento, do coro alto e da iluminação natural e eléctrica;
– Requalificação da área da celebração (presbitério) com novo altar, novo ambão e nova cátedra episcopal;
– Aquisição de novos bancos para a assembleia.

Há vários anos que chovia no interior da Sé e algumas partes estavam mesmo em perigo de derrocada. Urgia, por isso, fazer obras de grande vulto que não conseguiríamos pagar sem o contributo de fundos comunitários que vão suportar 70% dos custos, ficando 30% para a diocese, a paróquia e os benfeitores. O custo total das obras é de 833.413,05 euros, acrescido de 23% de IVA, o que perfaz um valor de 1.025.098,05 euros, tocando-nos 307.529,42 euros. Além disso, temos de agradecer à generosidade dos membros da APT (Associação de Desenvolvimento Regional Portas do Território) que se responsabilizam pelo projecto, concurso e acompanhamento da obra. É muito dinheiro, mas confiamos em Deus e na ajuda de todos os diocesanos, mesmo que seja pequenina como o óbolo da viúva elogiada por Jesus. Estas obras vão restituir à nossa catedral dignidade e harmonia e ajudar-nos a celebrar e a viver melhor os mistérios da nossa fé.
A nossa generosidade não ficará sem recompensa. Todos somos beneficiados quando resistimos à tentação do ter e do prazer egoísta em favor de toda a comunidade e de quem sofre dificuldades. Os nossos corações ficam mais fortes para amar como Jesus, e mais preparados para com Ele viver a alegria da Ressurreição na festa da Páscoa.

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