A vitória de Obama

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

Hoje em dia a distância entre dois pontos tornou-se pequena, pese embora seja enorme, como é o caso daqui de Portugal até à costa leste dos Estados Unidos da América. E quem diz costa leste pode querer dizer todo e qualquer ponto do globo terrestre. O telefone, e sobretudo a rádio, e mais tarde a televisão, tornaram tudo mais perto. Mas, mais recentemente, a Internet tornou tudo ainda mais perto e mais presente na vida de todos nós.
Vem tudo isto a propósito das recentíssimas eleições nos Estados Unidos da América e da vitória claríssima de Obama e o que se tornou de perto uma análise, uma discussão e, para muitos, uma paixão e, ao mesmo tempo, um desafio, entre o poder instalado representado pelo candidato John Mccain do Partido Republicano e o candidato do Partido Democrata, o senador Barack Obama.
Se noutras eleições as diferenças não foram tão acentuadas entre candidatos, desta vez a diferença existia, apesar de todos sabermos que entre aquilo que se diz nas campanhas eleitorais e aquilo que fazem quando estão no poder vai uma enorme distância. Particularmente no que diz respeito aos políticos americanos, onde o poder do dinheiro está acima de qualquer outra situação, por mais bem intencionada que seja.
Todos sabemos isso, ou pelo menos deveríamos saber, já que em Portugal temos presentemente uma amostra da diferença entre aquilo que foi prometido em campanha eleitoral e o que está a ser executado. Mas adiante…
Desta vez, o que estava em jogo na política norte-americana dizia, e diz, respeito ao que à escala global se passa, não só na economia, mas também no que se passa ao nível de interesses estratégicos financeiros, ou seja, de política global, que interessa fundamentalmente aos Estados Unidos da América e, sobretudo, à sua política militar, aos “falcões” que a dominam e que pretendem dominar cada vez mais o mundo.
Quanto à primeira questão, a económica, está demonstrada a exaustão a que levou a América e o Mundo, a política de casino, onde foi jogada permanentemente na bolsa a vida e o bem-estar de milhares de famílias que foram arrastadas para a miséria, que ficaram sem lar, ou em vias disso, e que por arrastamento da sua política levaram à ruína bancos e outras instituições credíveis que foram apanhadas na rede, algumas por vontade própria da sua estratégia e da origem para que foram criadas e outras por má gestão dos seus administradores. Agora choram na cama, que é lugar quente, como diz o povo.
O que é mais dramático é que aqueles que têm proclamado contra o Estado são os mesmos que agora procuram o conforto do Estado para os salvar da ruína.
A segunda questão em jogo nas eleições americanas é a da dominação do mundo pelos “falcões” da indústria militar que queriam e querem dominar totalmente o mundo, e que têm o expoente máximo na invasão do Iraque e na presença militar no Afeganistão, em nome do combate contra o terrorismo.
Tudo isso esteve em jogo nestas eleições e OBAMA, com as suas propostas, oferecia uma janela de esperança para uma mudança embora curta, mas diferenciada, quer no interior dos Estados Unidos quer na política mundial, o que faz com que um pouco pelo mundo a esperança possa renascer de novo.
Continuamos a saber, sobretudo os que querem saber e ouvir, que não será fácil ao presidente eleito Barack Obama mudar a política no seio dos “falcões” americanos. Mas espero, todos esperamos, que possa fazer um bom trabalho no sentido de aliviar a vida àqueles que não têm direito à saúde ou que não têm casa, nem alimentação condigna, e são muitos, muitos milhares de americanos.
Por outro lado, espera-se que possa à escala global dar uma lufada de ar fresco, invertendo as políticas militares no Afeganistão e, sobretudo, no Iraque, onde a ocupação tem levado à perda de milhares de vidas, entre elas a de centenas de militares americanos que ali têm perecido, em nome de políticas económicas dos Estados Unidos.
Pela minha parte, estou certo que quereria outro candidato e outro presidente, que defendesse políticas diferentes, mas também sei que o presidente eleito dos Estados Unidos da América é, manifestamente, um presidente de esperança num mundo que precisa urgentemente de mudança.
E tudo isto, mesmo nesta aldeia global em que o mundo se tornou, a esperança e o sonho são importantes. Ou como diz o poeta: “Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança”
Esperemos que esta réstia de sonho e esperança se torne realidade e que o mundo avance mesmo, para bem da humanidade.

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