A entrada no Paraíso, segundo Passos e Portas

Sexta-feira, 9 Maio, 2014

António José Brito

director do correio alentejo

A alegria soberba do primeiro-ministro e dos seus pares do Governo é tudo menos contagiante. Na verdade, passados estes três anos de dura lei orçamental e de uma estratégia absolutamente errada, só Passos e Portas parecem não ver o estado a que o país chegou. Muito pelo contrário, apregoam uma realidade que, para o comum dos cidadãos, é totalmente indecifrável. Melhor dizendo, para que se entenda muito bem: só eles e apenas eles vivem num país melhor!
Se fosse verdade, os portugueses ficariam agradecidos. Mas, infelizmente, com este governo PSD/CDS e um empréstimo de 78 mil milhões de euros, Portugal está bastante pior do que estava há três anos. Os factos são objectivos e não enganam. Pelo contrário, desmentem cabalmente o discurso festivo de Passos Coelho.
E que festa é esta, temperada com alguns sorrisos cínicos num plateia de gente que subscreve e apoia esta governação desastrosa? A festa destes senhores, desculpem a ironia, deve ser certamente uma taxa de desemprego brutal de 15,7% (a meta original da “Troika” era 12%) e uma dívida pública de 130 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) – a meta era 115 por cento!
Dito assim, para alguns até pode parecer pouco! Mas nas nossas ruas e nas nossas vidas, aquilo que sentimos é muitíssimo. Portugal está pior em todas as áreas depois de o Governo, ao invés de cortar na despesa, como aliás se comprometeu, ter agido apenas na receita com uma carga brutal de impostos que continua a castigar fortemente os trabalhadores e já destruiu a classe média.
Portugal voltou a ser um país de jovens emigrantes (a taxa de desemprego jovem está hoje na ordem do 38%) e de famílias inteiras dependentes da caridade. Nos últimos três anos, o Governo castigou sem piedade os reformados (e vai continuar a castigar!), os trabalhadores da administração pública, as pequenas e médias empresas (PME) e os cidadãos em geral com políticas que estão a destruir o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a escola pública.
Infelizmente para os portugueses, PSD e CDS assumiram um ataque nunca visto na nossa democracia, em que quase todos fomos atingidos por uma política cega e de empobrecimento forçado. Uma política neoliberal que é absurda e trata as pessoas como se fossem apenas números!
Esta verdade crua e cruel resulta de uma estratégia que poderia ter sido muito diferente, evitando uma destruição social que vai demorar gerações a ser corrigida. Perante isto, é francamente inaceitável ouvir os dirigentes desta desgraça apregoarem a saída da “troika” como se fosse o final de todos os problemas e o início de uma vida nova e muito mais feliz.
É bom que todos tenhamos a noção que não é nada assim! O país está muito pior: mais pobre, mais injusto, mais endividado, com mais desempregados e mais emigrantes. A teimosia e a cegueira orçamental, para agradar à Alemanha e à direita europeia, continuam a destruir-nos e a sequestrar o futuro dos nossos filhos. Mas perante esta dura realidade, o Governo de Passos e Portas celebra a saída da “troika” como se estivéssemos às portas do paraíso!

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