Um ponto prévio: é indesmentível que são precisas reformas de fundo na área da saúde em Portugal, no sentido, a título de exemplo, de se evitar que haja médicos a trabalhar à mesma hora em hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e em unidades privadas (como adiantou o “Público” no passado dia 25 de Junho). Para não falar de clínicos a receber em duplicado ou outros casos do género.
Ainda assim, este ponto prévio não impede que se coloque em causa algumas das medidas que têm vindo a ser seguidas na área durante esta legislatura, à sombra da necessidade de cortar nos elevados custos do sector e aumentar a eficiência dos serviços. Muitas vezes “foi pior a emenda que o soneto” e hoje é por demais evidente que algo vai mal na saúde em Portugal. E os exemplos vêm de todas as partes: os médicos protestam (e há greve na próxima semana, dias 8 e 9 de Julho), os enfermeiros reclamam, o pessoal auxiliar reivindica.
Contra tudo isto o ministério reage, umas vezes, com o silêncio dos comprometidos e, em outras ocasiões, com o useiro argumento de que é preciso poupar e rentabilizar. Mas na saúde a matemática não pode ser apenas feita com números e fórmulas estatísticas. Há pessoas envolvidas e, acima de tudo e de qualquer valor, estão vidas em jogo.
Veja-se o caso concreto do Baixo Alentejo, onde são mais que muitas as carências nesta área. O hospital distrital está em vias de perder especialidades e valências. Os centros de saúde acumulam carências ao nível das estruturas físicas e dos recursos humanos. E raros são os concelhos com o número de médicos adequado às reais necessidades das suas populações (como é, por exemplo, o caso de Almodôvar, onde segundo o autarca António Bota há cerca de 2000!!! pessoas sem médico de família – ler entrevista publicada nas páginas 12 e 13 deste jornal).
Tudo isto deve fazer-nos ponderar seriamente sobre o futuro que queremos para o país. Sejamos nós ministros, responsáveis pelas entidades da saúde, médicos, enfermeiros, autarcas ou “simples” utentes. Porque o caminho que está a ser seguido não garante uma reforma adequado do SNS, nem sequer serve as necessidades das populações. E com a saúde não se brinca!

Concelho de Ourique “na rota” do Mundial de gravel
Cerca de 1.000 atletas de 34 países são esperados na segunda edição do UCI Alentejo Gravel, prova que se realiza no concelho de Ourique neste







