A primeira repetição de sons é a tentativa inicial de compreensão daquilo que nos rodeia. Rasteiros, do tamanho de mesas, aos tropeções, ficamos ávidos de sílabas e ditongos. Quando somos pequenos e descobridores, o mundo atrai-nos para a sua multiplicidade de sentidos. E os vocábulos não nos largam mais. Multiplicam-se por muitos mil. Acordamos com uns e deitamo-nos já com outros. E tornamo-nos coleccionadores de palavras. E não deitamos nenhumas fora e elas não nos pesam. Tiramo-las de ouvido, arrancamo-las dos livros. Primeiro o nome, a idade, a família, a rua, depois a cidade ou o campo e depois os países e o mundo. E se não nos ficarmos pela insuficiência daquilo que é básico e primitivo, a seguir vem a abstracção, a poesia, os conceitos filosóficos e políticos, a tese, a metafísica. Tudo palavras, e o que está dentro delas, que não sabíamos à partida de nós próprios.
Mas há uma altura em que acordamos com umas palavras e à noite já não nos deitamos com elas. Perderam-se no absurdo do dia. Não resistiram a mais um sol-posto. Umas perderam o valor, outras ficaram ocas. De umas tantas nem nos despedimos. Invertemos o destino da comunicação. Calamo-nos. Somos ridículos aprendizes do silêncio. Repetimos o silêncio. Imitamos o vácuo.
Já sem nada para dizer, ouvimos o passado a arranhar as paredes do tempo e os gritos de dor das palavras fechadas na impossibilidade das bocas.

Concelho de Ourique “na rota” do Mundial de gravel
Cerca de 1.000 atletas de 34 países são esperados na segunda edição do UCI Alentejo Gravel, prova que se realiza no concelho de Ourique neste







