Abraços, cumprimentos de sorriso largo, autógrafos em cadernos escolares e camisolas de futebol, e selfies… muitas selfies! Foi com grande entusiasmo que alunos e toda a comunidade educativa da Escola Básica e Secundária Dr. João de Brito Camacho, em Almodôvar, receberam na passada terça-feira, 13, o antigo Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa.
Longe de Belém, Marcelo voltou a vestir o “fato” de professor, passando toda a tarde no estabelecimento de ensino almodovarense, onde participou na sessão “Da pedra ao ecrã: como lemos, escrevemos e comunicamos?”, no âmbito do ciclo de conversas “Ler Está na Moda?” que o antigo PR está a promover, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares, em todo o país.
“Uma pessoa é professor toda a vida. Comecei a dar aulas em 1971/1972 e é até ao fim da vida! Foi essa a minha vocação, a minha escolha”, confidenciou Marcelo Rebelo de Sousa ao “CA”, ainda antes de entrar na escola e já depois de dispensar alguns minutos a cumprimentar bombeiros e populares que se encontravam na zona, assim como alguns alunos mais “afoitos”.
Recusando pronunciar-se sobre as polémicas da atualidade nacional – “Já sabem que eu política não comento”, disse – e sempre muito solicitado por estudantes e auxiliares, Marcelo assistiu a um momento de cante alentejano e a uma atuação de dança K-pop, tendo ainda visitado a biblioteca escolar.
“Onde está o Eça?”, questionou, enquanto ia remexendo com curiosidade nos livros espalhados pelas prateleiras.
Só depois chegou ao auditório, onde os alunos Raquel e Daniel foram os “porta-vozes” das questões dos jovens almodovarenses sobre o papel da leitura e dos livros nos tempos atuais, onde o analógico deu lugar (literalmente) ao digital.
“Uma pessoa é professor toda a vida. Comecei a dar aulas em 1971/1972 e é até ao fim da vida! Foi essa a minha vocação, a minha escolha.”
“Está tudo em mudança”, começou por dizer à plateia com mais de uma centena de alunos e que contava com o executivo municipal, liderado por José Tadeu Freitas, na primeira fila. “E o que é que nos defende desta mudança? O conhecimento”, advogou.
Segundo Marcelo, “a evolução que estamos a assistir é alucinante”. “Cada vez que passam dois anos, há saltos na inteligência artificial que põem em causa aquilo que era a última novidade dois anos antes”, frisou.
Por isso, reconheceu, “neste mundo é uma tentação enorme ser-se preguiçoso e achar-se que se pode chegar ao conhecimento através da máquina e dispensando o trabalho intelectual, que significa ler livros”. “Mas quem lê mais livros sabe mais palavras. Quem sabe mais palavras, fala melhor. Escreve melhor. E tem a capacidade de, num debate, num trabalho ou numa apresentação, ir mais longe”, alertou.
Estamos então a viver um paradoxo, em que quanto mais ferramentas de conhecimento temos, menos conhecemos? Marcelo acha que não! “Parece que isto não serviu para nada, porque as pessoas se desinteressam. Mas serviu para muito. Permitiu democratizar o acesso a muita informação e muito conhecimento. E está a permitir – e vai permitir cada vez mais – reinteressar de novo as pessoas para o conhecimento que é fundamental à sua vida”, garantiu.
É por isso, concluiu, que as bibliotecas são tão importantes numa escola.
“A biblioteca é uma das almas na escola. É uma alma tão importante como a alma dos professores, a alma dos familiares, dos alunos… Com uma diferença: os alunos vão mudando, os professores vão mudando e a biblioteca tem a obrigação, como instituição, de permanecer. Portanto, é uma alma viva!”.












