Presidente do OBA: “Baixo Alentejo tem potencial que outros não têm”

Apresentado publicamente no final de Outubro, o Observatório do Baixo Alentejo (OBA) nasce com a ambição de fazer lobby em defesa da região e das suas potencialidades. Em entrevista ao “CA”, Jorge Barnabé, o presidente da direcção do OBA, diz mesmo que o movimento nasce da necessidade de o Baixo Alentejo “pensar numa estratégia de desenvolvimento a partir do que é mais amplo e global”.

Por que razão sentiram a necessidade de existir uma entidade como o Observatório do Baixo Alentejo (OBA) na região?
O Baixo Alentejo precisa de pensar numa estratégia de desenvolvimento a partir do que é mais amplo e global. Já existem um conjunto de investimentos públicos relevantes e que se estiverem integrados numa visão comum podem ser potenciados, ganhar escala e valor económicos capazes de gerar mais emprego, melhor emprego e atrair mais população. Até aqui existiu um vazio no que respeita a esse pensamento estratégico global, que afirme o Baixo Alentejo como motor de desenvolvimento do Sudoeste Ibérico. Não podemos ignorar os territórios que nos rodeiam se queremos projectar as infra-estruturas existentes como são os exemplos do Porto de Sines, o aeroporto de Beja e o Alqueva. E será a partir daí que se gerarão mais investimentos públicos e privados em vários domínios. Foi com este espírito de afirmação de uma visão de desenvolvimento integrado que nos pareceu extremamente relevante criar o OBA. A ausência de uma narrativa positiva, agregadora e mobilizadora de políticas e participações da sociedade civil em respostas globais para as próximas décadas é outra motivação e à qual é preciso responder com uma entidade que sirva como interlocutora da região entre a administração pública e os sectores de actividade regionais e com os territórios vizinhos do Alto Alentejo, do Algarve, da Estremadura e da Andaluzia com ligação à África do Norte. Esta é uma resposta necessária para combater os três fragilidades que identificamos: não temos influência, não temos massa crítica e não temos planeamento.

E a que se deve isso ou de quem é a responsabilidade?
É uma constatação óbvia e preocupante! Na verdade, nunca soubemos promover a nossa região como um todo. Defender a concretização de projecto e infra-estruturas não é o suficiente se não as defendermos como elementos complementares de uma visão coerente do território.
A responsabilidade é de todos, não há culpados mas também não podem haver desculpas. A realidade é que chegámos aqui e estamos numa situação difícil em que, tendo investimentos tão relevantes e de grande valor económico e social, fica a sensação que não temos nada. Isso não é verdade! As infra-estruturas estão cá e são irreversíveis. Aquilo que nos falta é ter influência junto dos decisores políticos para ligar esses investimentos entre si, para entenderem que a região não funciona sozinha e que pode ganhar escala no espaço do Sudoeste Ibérico e na relação com o norte de África. Que temos a necessidade de atrair e desenvolver massa crítica para nos ajudar a pensar a região e dar consequência a estes projectos e a outros que virão por via destes. Que temos de planear num contexto global e integrado em que devemos relacionar o progresso e as infra-estruturas com o sector privado, com o combate à desertificação e às alterações climáticas, que temos de resolver os problemas das populações para gerar desenvolvimento e atrair mais gente e promover a inclusão das comunidades migrantes. Temos um potencial que outras regiões não têm. Mesmo no contexto do Sudoeste Ibérico somos a região com maior potencial! E essa é uma responsabilidade nossa. Não podemos nem devemos esperar que venham os governos entender o que só nós entendemos, porque somos quem conhece o território e as suas realidades.

O OBA quer ser “uma entidade de concretização”. Isso quer dizer o quê em termos práticos?
Mais que falar, é necessário fazer! Já chega de estudos e de retórica. O desafio da região é concretizar o pensamento estratégico necessário para a região. E neste momento existem as condições adequadas para desenvolver um trabalho de execução dos projectos. Quando dizemos que somos uma entidade de concretização queremos afirmar que o nosso objectivo é para além dos discursos e da descrição dos problemas. Vamos gerar parcerias, unir os eleitos com os representantes dos sectores da sociedade, vamos partilhar com todos – incluindo com o Governo – a responsabilidade de dar forma às soluções, iniciando processos e mobilizando vontades. E em alguns casos executarem os projectos que consideramos decisivos para sustentar a visão de desenvolvimento que defendemos, sobretudo no combate à desertificação e na promoção da coesão económica e social do território.

Que acções concretas tem o OBA previstas para os próximos tempos?
Iniciámos um conjunto de contactos formais com várias entidades representantes dos sectores da região, com membros do Governo e outros da administração pública, no sentido de consolidar parcerias e entendimentos sobre as soluções necessárias e onde se deve e como intervir. A primeira prioridade é unir esforços e criar uma estratégia comum subscrita por todos. A partir daí começamos a colocar no terreno as respostas geradas, algumas já no primeiro semestre de 2021. A união de todos em torno de uma ideia é decisiva para aproveitar as oportunidades. E nesse sentido estamos também a estabelecer pontes de diálogo e de articulação de respostas com entidades privadas e públicas nas regiões espanholas de Andaluzia e da Estremadura, que são vitais para dar seguimento ao que projectamos e planeamos. Não podemos imaginar uma estrada ou uma via ferroviária senão houver consequências para esses projectos em Espanha. E já estamos a realizar a nossa acção com a vontade de reunir apoios e parcerias para se criar um gabinete de gestão, organização e promoção do parque logístico do aeroporto de Beja, a partir do qual se deve gerar o hinterland ibérico com influência em toda a região.

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Correio Alentejo

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