Presidente da CIMBAL. Seca no Baixo Alentejo é problema “gravíssimo”

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) reconhece que o problema da seca na região é “gravíssimo” e espera que o futuro governo do PS encare “com olhos de urgência” a situação.

“Estamos com um problema gravíssimo” e “imediato de falta de água, nomeadamente para o pastoreio e para a atividade agro-pastoril”, diz ao “CA” o presidente da CIMBAL, o socialista António Bota.

Segundo o edil, que também preside à Câmara de Almodôvar, o Baixo Alentejo “é das regiões do país mais secas” e “com menos água distribuída, não obstante a barragem do Alqueva servir alguns concelhos”.

A situação “é preocupante no imediato, porque os agricultores não têm pastagens para os animais” nem “reservas de cereais, fenos, silagens ou palha”, alerta.

O autarca socialista diz mesmo que “aquilo que se avizinha a médio e longo prazo não é muito agradável de observar”, pois “se não chover também coloca em risco as culturas do próximo ano”.

“Com as alterações climáticas dos últimos anos estamos sempre com o ‘coração nas mãos’ e urge tomar medidas rápidas”, que “não podem ser ‘empurradas’ com a barriga” e que “têm de ser executadas já”, reforça.

Na opinião de António Bota, o novo governo tem olhar “para o Baixo Alentejo com ‘olhos de urgência’”.

Caso contrário, conclui, “daqui a pouco tempo vamos ter turistas a ver mais um deserto que fica a sul de Beja, porque não há possibilidade de continuar a produzir nestes terrenos”.

Recorde-se que na terça-feira, 8. o conselho intermunicipal da CIMBAL reuniu e elencou “um conjunto de intervenções e de apoios de forma a mitigar” a seca no distrito de Beja.

Entre as 12 medidas urgentes propostas pelos municípios surgem a concessão de ajudas a fundo perdido para construção de charcas, para a aquisição de depósitos de água e para suportar os custos da distribuição da água.

São igualmente propostas, entre outras, a autorização para pastoreio de pousios e culturas anuais e a atribuição de apoios a fundo perdido à pecuária, “nomeadamente no transporte de água e equipamento de abeberamento de animais”, assim como às culturas de outono-inverno.

Entre as medidas de médio prazo a propor ao futuro governo surgem a criação de “condições para implementar” seguros agrícolas que “considerem também a seca” ou a ligação da barragem do Roxo, no concelho de Aljustrel, à albufeira do Monte da Rocha, no concelho de Ourique.

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Correio Alentejo

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