“Ovibeja sempre foi um pouco de tudo”

“Ovibeja sempre foi um pouco de tudo”

No ano em que a grande feira do Sul comemora 35 anos, o presidente da ACOS fala sobre o presente e o futuro da Ovibeja, que continua a ser um fórum privilegiado de “discussão e de reivindicação” dos agricultores e da sociedade alentejana. “Queremos manter a Ovibeja assim, com a traça que sempre teve, atraindo cada vez mais empresas ligadas à comercialização de produtos, sementes, químicos, etc., que tenha um cariz profissional, mas que seja a Ovibeja que sempre foi”, diz Rui Garrido ao “CA”.

Esta é a 35ª Ovibeja, um número redondo e, mais uma vez, uma Ovibeja importante…
Sim, é uma Ovibeja importante, desde logo por serem 35 anos, mas também porque aproveitando serem esses 35 anos queríamos fazer aqui uma homenagem ao nosso falecido e saudoso Manuel de Castro e Brito. Inclusivamente temos isso agendado com a Câmara, ou seja, dar o seu nome ao Parque de Feiras e Exposições de Beja, onde se realiza a Ovibeja. Aproveitando a passagem dos 35 anos, estamos a preparar também um livro sobre o que foi a Ovibeja ao longo dos tempos onde iremos, com certeza, destacar o que de mais importante aconteceu. Vamos também fazer uma exposição temática mostrando como foram as várias as ‘Ovibejas’ e homenagear alguns dos nossos directores que já partiram. Portanto, vamos aproveitar estes 35 anos para fazermos um exercício de memória sobre a Ovibeja e sobre aqueles que a têm feito.

Em geral, o olhar da Ovibeja tem estado sempre muito centrado no futuro. Este ano é excepção?
Claro que não. Todos os anos tentamos idealizar algo de novo, tentamos imaginar coisas novas, embora a traça da feira este ano fique muito semelhante àquilo que foi, nomeadamente, no ano passado. Continuámos a investir no “Campo da Feira”, que vai ter mais acessos, não só para a maquinaria que ali está em exposição, mas também para as pessoas que nos visitam. Vamos manter o “Pavilhão do Cante” com uma outra exposição dedicada ao património local, e o Pavilhão Institucional, tal como fizemos no ano passado, sem “comes e bebes”. Estes estarão todos juntos perto do pavilhão “Terra Fértil”. A nossa temática vai continuar a ser virada para a internacionalização dos nossos produtos de origem vegetal, não só culturas anuais, mas também fruticultura, olivicultura, etc.

E que mais vamos ter na Ovibeja?
Dentro das actividades lúdicas, vamos também melhorar o nosso programa de cavalos, uma actividade que traz muita gente à feira. Portanto, em síntese, queremos ter uma Ovibeja dinâmica, à qual os expositores adiram, mais uma vez, em força – no ano passado tivemos o maior número de expositores de sempre – e que seja uma grande feira nestes seus 35 anos.

Há quem diga que a feira se tem vindo a descaracterizar como feira agro-pecuária, ao abrir-se a uma diversidade de sectores de actividade. Aceita esta crítica?
Não. Antes pelo contrário! Eu acho que temos tentado manter a Ovibeja dentro daquela traça que era a da Ovibeja original. A Ovibeja sempre foi um pouco de tudo. Continuamos a ter uma exposição pecuária muito digna, com vários concursos associados às raças autóctones e à tosquia, e estamos a dinamizar cada vez mais aquele espaço a que chamamos o “Campo da Feira”, onde actualmente ocorre a exposição de máquinas e equipamentos, tornando-o mais profissional. Nós queremos manter a Ovibeja assim, com a traça que sempre teve, atraindo cada vez mais empresas ligadas à comercialização de produtos, sementes, químicos, etc., que tenha um cariz profissional, mas que seja a Ovibeja que sempre foi.

Num horizonte de mais cinco anos, o que pode mudar na Ovibeja?
Temos que tentar ser sempre, e cada vez mais, imaginativos para que em cada ano consigamos, pelo menos, introduzir algo de novo, porque não se consegue, nem queremos, mudar radicalmente a feira. Desde logo, por ser impossível e, depois, porque o actual modelo tem sido bem-sucedido, onde as pessoas se sentem bem, gostam de estar e visitar. E é esta mistura, que passa por ser um fórum informativo, reivindicativo, de resolução de problemas, de negócios, um espaço diversificado, onde também há muita coisa que não tem nada a ver com a agricultura. Ao nível mais pessoal, gostava que a Ovibeja mantivesse sempre aquilo que é a sua essência e as suas características, mas poderá continuar a tornar-se mais profissional. Quem sabe, fazermos aqui um ano dedicado só a uma área ou apenas a um tema específico duma determinada fileira agrícola. São coisas de que já temos falado e que poderemos ir pensando e idealizando.

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Correio Alentejo

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