“Desassossego” estreia em Beja para combater o estigma da doença mental

O coletivo artístico Coro de Atores vai estrear nesta sexta-feira, 16, em Beja, o espetáculo “Desassossego”, que pretende ser um “instrumento de literacia em saúde” e combater o “estigma” das pessoas com doença mental.

“Quisemos desde o início” que este “fosse um projeto sobre pessoas com doença mental e do desassossego que isso lhes traz”, explica ao “CA” Miguel Magalhães, responsável pela dramaturgia da peça.

“Desassossego” vai estar em palco no Teatro Municipal Pax Júlia, em Beja, nesta sexta-feira e sábado, dias 16 e 17, sempre às 21h00.

O espetáculo é uma produção do Coro de Atores e da Caravela Sonora, com dramaturgia de Miguel Magalhães, encenação de Rita Calatré, música original de Paulo Pires e coreografia de Daniela Ferreira.

A obra foi desenvolvida no âmbito do Programa de Apoio em Parceria “Arte e Saúde Mental”, da Direção Geral das Artes, contando com a parceria da Santa Casa da Misericórdia e da Câmara de Beja, assim como da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental.

Segundo Miguel Magalhães, em “Desassossego” é contada “a história ficcionada de um jovem bejense, António, que tem sonhos de estudar e um dia vir a ser escritor” e “que, de repente, se depara com um diagnóstico de doença mental”.

“Como é que ele lida com o diagnóstico? Como é que ele lida com a doença? […] É essa a história que queremos passar, uma mensagem de esperança”, revela.

De acordo com o dramaturgo, “Desassossego” pretende ser “a história das pessoas que todos os dias lidam com a doença mental”, fazendo da arte “um instrumento de literacia em saúde e combate ao estigma e à desigualdade”.

Nesse sentido, “o espetáculo é constantemente cruzado por testemunhos reais”, recolhidos nos últimos meses e que serão projetados“em vídeo na própria cenografia”.

O desenvolvimento do projeto levou o Coro de Atores a promover em Beja um atelier de cenografia e de figurinos, sendo que “toda a cenografia e todos os figurinos” do espetáculo acabam por“da inteira responsabilidade de pessoas com doença mental”.

A iniciativa incluiu igualmente a dinamização de uma oficina de teatro, onde “tivemos a oportunidade de experienciar, através do exercício teatral, como lidar com situações do dia a dia que para as pessoas com doença mental são um problema”, conta Miguel Magalhães.

“Estas situações foram em improviso e em exercício teatral experienciadas por pessoas com doença mental, por profissionais e por nós artistas, num conjunto de cinco sessões”, acrescenta.

O autor da dramaturgia de “Desassossego” diz ainda que a escolha do Baixo Alentejo para este projeto se deveu ao facto de a região ser “a zona do país com a taxa mais alta de suicídio”.

Além disso, “enquanto companhia, sempre nos pautamos por trabalhar fora dos grandes centros urbanos e artísticos, porque acreditamos que a arte deve ser para toda a gente e uma das nossas missões é a democratização da fruição cultural”, reforça.

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Correio Alentejo

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