“Vai chamar pai a outro!”

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Luís Dargent

dirigente do CDS

Por estes dias festejou-se São José, “padroeiro das Famílias e dos Trabalhadores”, e nele todos os pais, que aqui aproveito para homenagear, fazendo-o com especial ênfase ao meu a quem tanto devo. O pudor e a falta de jeito levam-me a ser parco nos elogios e encómios que nesta hora sempre me provocam um nó na garganta e no raciocínio, quero no entanto deixar o testemunho da minha gratidão por uma vida com mais e melhores exemplos do que conselhos, ao contrário do que me parece normal.
É por ter a instituição paternal em elevadíssima estima e estar mais que satisfeito com a minha, que me irrito facilmente com as que me querem impingir à má fila e sem vergonha nenhuma. Ele é o pai da Liberdade, da Democracia, do Serviço Nacional de Saúde, do Alqueva, eu sei lá mais o quê… Este tipo de paternalismo serôdio deixa-me completamente fora de mim, provocando-me uma vontade indómita de os declarar filhos de qualquer coisa que, cá está, em mais uma homenagem ao meu pai, me isento de nomear.
Na minha modesta opinião, a Liberdade e a Democracia são valores, como diria a poetisa agora tão na moda, maiores até que os poetas que são os maiores dos Homens. Por eles sacrificaram-se muitos, chegando ao supremo tormento de dar a própria vida, para que gerações e gerações usufruam responsavelmente dos seus muitos benefícios. Felizmente, e ao contrário do que alguns iluminados nos querem impingir, Liberdade e Democracia não são responsabilidade de ninguém, nem existe ninguém melhor preparado para as exercer, servindo a paternidade postiça muitas vezes de disfarce para os piores padrastos das suas famílias ou povos, tratando uns, poucos, como filhos e outros, muitos, como enteados.
Na minha sempre pouco modesta opinião, estes valores não são apropriáveis e devem resistir a todos aqueles que o tentem fazer, como forma de se renovar permanentemente, adaptando-se a cada tempo e, no limite, tolerando aqueles que sob qualquer capa a eles se opõem, como faria qualquer pai com os filhos ingratos.
É por estas e por outras que muitas vezes me apetece dizer: “Vai chamar pai a outro!”.

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