Um jardim sem gente

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Serafim

contador de histórias

Há espaços que valem a pena ser relembrados. Espaços dignos de usufruto permanente. Espaços que reaproximam e conciliam os cidadãos com a sua cidade. A identidade de Beja necessita de um renovado pulsar. Necessita de reequilibrar o binómio cidadão-cidade. De gente que se orgulhe do que tem e do que sonha ter. O jardim público, de certeza o melhor espaço verde da cidade, é um dos tais a precisar urgentemente de uma estratégia que o salve do imenso vazio que o preenche dia após dia. Até porque é um local de localização privilegiada, no centro da cidade, dos poucos onde se pode permanentemente caminhar à sombra do arvoredo. E numa cidade quente e árida como o é esta em plena estação do Verão, desvitalizar um espaço destas caracterísitcas é sinónimo de desvalorização de um património comum. Há que repensá-lo, questionar caminhos, consultar os cidadãos, planificar uma estrutura para durar. O Jardim Público oferece sombra, frescura, espelhos de água, o aroma das flores, a actividade regular da Casa do Lago, o parque infantil…Tranquilidade a perder de vista, como tal, não deve haver nesta cidade, pelo menos no seu centro, um espaço tão harmonioso como este. O jardim, não pode ser apenas um espaço para manutenção de canteiros e rega de plantas, tem que oferecer condições para ser desejado, procurado. Tem que saber criar água na boca. Precisa de cafés com esplanadas, restaurantes de qualidade. Precisa de animação, como em tempos a houve. Não se percebe porque é que a Câmara Municipal de Beja deixou de realizar eventos no dito local. Embora não muitos, ainda por lá ocorreram cinema, teatro, música, etc… E agora? Agora, não passa de um local onde a rapaziada da terceira idade, e não muita, passa os dias à espera de recolher horas para outro dia. Agora, nem aquele que seria o dia mais movimentado da sua longa vida, o pode desfrutar, o Dia Mundial da Criança. É um luxo ao qual não podemos dar azo, o de desaproveitar constantemente um vasto património que obrigatoriamente tem que acompanhar as diversas transformações porque vai passando a cidade ao longo da sua vida. Não se percebe e condena-se plenamente o esquecimento a que está votado. Convém salientar que, a curto prazo, a cidade vai estar sujeita a profundas alterações que vão substancialmente alterar o seu tecido económico-social-cultural. O aeroporto, a possível transferência das oficinas da TAP, as dezenas de famílias de oficiais da Força Aérea… Enfim, é preciso dizer mais?

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