Tal como escrevemos na última edição, a viatura em que Portugal (e os portugueses) seguiam tranquilamente, a “velocidade de cruzeiro”, chocou repentinamente com uma “parede de betão” em forma de vírus. De um dia para o outro (literalmente) o país parou. Os serviços públicos passaram a funcionar à distância, lojas, cafés e restaurantes fecharam, as escolas ficaram sem a agitação das crianças e (quase) todos nós começámos a trabalhar a partir de casa, tornando rotina aquilo que era um expediente pontual.
Sem que alguém o previsse, o coronavírus Covid-19 veio mudar o mundo. Ainda não sabemos bem de que forma, nem sequer podemos ousar perspectivar o que quer que seja. Mas este tempo (e o tempo que se seguirá) é seguramente de muitos desafios e enormes riscos. E é a estes – aos riscos – que todos devemos votar muita atenção.
Existe desde logo o risco (cada vez mais inevitável) de estarmos a caminho de uma recessão brutal, profunda e duradoura. Certamente não será o “fim do mundo”, mas exigirá de todos grande esforço, empenho e capacidade de sacrifício. E escrevemos todos porque a responsabilidade de reerguer a economia não estará apenas nos trabalhadores, nos empresários, nos banqueiros e nos políticos. Nós enquanto cidadãos também teremos essa responsabilidade, mais que não seja consumindo o que é nacional e comprando no comércio local.
Mas a par da crise económica que se avizinha, este tempo de pandemia acarreta igualmente o risco de vermos os extremismos crescerem desmesuradamente, sobretudo os nacionalismos que advogam o encerramento de fronteiras e a vivência num Estado quase “policial”. Saibamos resistir a esses “cantos de sereia” que seduzirão como nunca durante este período. Estará a nossa maturidade democrática à altura deste desafio?

Homem detido em Beja pelo crime de violência doméstica
Um homem de 23 anos, de nacionalidade estrangeira, foi detido em Beja pela PSP pela prática do crime de violência doméstica e vai aguardar julgamento







