Serviço Nacional de Saúde – 30 anos

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Monteverde

No dia 8 de Julho de 2009, o Ministério da Saúde celebrou em Lisboa os 30 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com a presença do seu fundador, António Arnaut, então ministro dos Assuntos Sociais. E muito poucos portugueses sabem que o nome de António Arnaut e do seu secretário de Estado, Mário Mendes, foram sugeridos para a área da saúde a Mário Soares, então o primeiro-ministro, por Miguel Torga que não sendo militante sempre apoiou o Partido Socialista.
Apesar dos ataques feitos ao SNS e das tentativas da sua destruição, pelos governos da AD e do PSD, o Serviço Nacional de Saúde, que já foi considerado o 12º melhor do mundo pela OMS, é ao fim de 30 anos a maior conquista do povo português depois do 25 de Abril, traduzida no acesso de todos aos cuidados de saúde primários e diferenciados, à enorme redução da mortalidade infantil e, mais recentemente, já com o actual Governo socialista, à criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados.
Revestiu-se por isso da maior importância a comemoração desta data, levada a efeito pela actual ministra da saúde, dra. Ana Jorge, já que nos tempos que correm a imprensa gosta de potenciar a crise e todos os seus efeitos negativos, esquecendo aquilo que de facto tem sido feito em benefício dos portugueses.
E para além da saúde, era importante que no outro pilar da nossa vida pública, que é a educação, o país pudesse ter também a caminho um Serviço Nacional de Educação de que nos pudéssemos orgulhar dentro de 30 anos. A escola está mal, os alunos não aprendem, o país ressente-se ao nível estrutural da mediocridade gerada pelo ensino, até que a actual ministra da Educação, e pela primeira vez em Portugal, disse bem alto que o rei vai nu e deu os primeiros passos no sentido de criar o futuro Serviço Nacional de Educação. Mas todas as mudanças encontram os seus obstáculos e ferozes adversários.
António Arnaut teve contra si e contra o SNS os sectores mais retrógrados da medicina em Portugal, que venceu com a razão e com o tempo, que mostrou aos portugueses todas as vantagens do SNS. Maria de Lurdes Rodrigues tem tido pela frente o sr. Mário Nogueira, um resquício gonçalvista no seu pior, sempre pronto a encher as ruas aos milhares, contra a avaliação, contra o bom senso e contra o progresso do país. Mas a sua persistência, a sua razão e a necessidade que o país tem de uma nova escola, com professores sem medo de serem avaliados, porque capazes de ensinarem e dar ao país os quadros técnicos do futuro, vão fazer com certeza desta ministra o António Arnaut da Educação.
Como já disse noutro artigo, as eleições europeias, para além da penalização eleitoral do PS, criaram noutros que nada ganharam uma falsa euforia para a vida política e para os próximos actos eleitorais, que para bem do país não se vai certamente confirmar.
A d. Manuela, subitamente uma vencedora, baseia afinal a sua política de verdade numa sucessão de mentiras, de que a mais degradante é a recuperação de Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa, numa atitude de incoerência, que é de facto a “sua verdade”. O “Paulinho das Feiras” e dos milhares de fotocópias quando saiu do Ministério da Defesa como sabe que ninguém vai ter com ele, vai ele próprio para o meio das feiras, dando a imagem televisiva de estar sempre rodeado de portugueses. O insuportável patusco do Bernardino, admirador da “democracia da Coreia do Norte”, conseguiu com mais uma das suas mentiras provocatórias uma reacção menos elegante do ex-ministro Manuel Pinho. Que apesar da campanha de toda a imprensa, teve o elogio na despedida, de patrões e trabalhadores, como a presença de vários delegados sindicais no jantar que lhe foi promovido. O Bernardino gasta o nome aos trabalhadores, e estes vão prestar a sua homenagem ao ministro que sempre os defendeu, através de dias e noites de negociação, que certamente resolveram muito mais que os espectáculos circenses dalguma oposição na Assembleia da República. Deixa também como obra o parque crescente das energias renováveis num país até aqui dependente dos derivados fósseis. E com tristeza vemos um ministro competente, mas infeliz na dialéctica, ter de ir embora, permanecendo os verdadeiros provocadores.
O país há muito que está farto dos papagaios falantes. Não existe qualquer escolaridade subjacente à demagogia barata que vemos diariamente.
António Arnaut, que foi um dos fundadores do PS na Alemanha, autor do romance <b><i>Rio de Sombras</i></b>, publicado recentemente, foi certamente buscar a António Sérgio e Antero de Quental a sua formação humanista para criar o Serviço Nacional de Saúde.
Maria de Lurdes Rodrigues sabe que este país para sair da sua crónica crise precisa duma escola onde se ensine melhor e se aprenda mais. Acredito que vai ser capaz de fazer o Serviço Nacional de Educação.
Estas são as obras que ficam, para além da retórica fácil e espúria, e dos túneis que prometem os que não passam das “obras subterrâneas”.
Ou escolhemos os que têm obra feita e para fazer ou votamos na “mentira da verdade”, para voltarmos ao país da “verdade da mentira”.

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