Replicar a Ovibeja

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hugo Lança Silva

professor do ensino superior

Quando estas palavras forem impressas, a cidade está a viver o deslumbramento da Ovibeja! Uma semana especial na cidade e na região, um momento épico onde encontramos o contraste entre a Beja que temos e a Beja que alguns de nós sonhamos! Porque durante esta semana a cidade veste-se com as suas melhores roupas, ouvem-se risos nas ruas onde quase sempre caminha o silêncio, casas habituadas à escassez enchem-se de opulência, numa semana onde, sendo certo que se desfilam vaidades, vivemos numa passerelle onde exibimos ao país todo o Alentejo do nosso mundo, as especificidades que fazem desta estranha terra um local magnífico para viver!
Nunca entendi a Ovibeja como uma vaca sagrada alheia a todas as críticas: até porque como bom agnóstico, não tenho apetência para me ajoelhar ao sagrado! Mas tecer sugestões e fazer reparos à feira não é escamotear a sua tremenda importância nem retirar mérito ao grande responsável pela mesma. Afirmei no passado e reitero aqui, com a liberdade de quem nunca recebeu um euro da Ovibeja, de quem paga o seu bilhete, de quem não tem o prazer de ser amigo do eng. Castro e Brito, que Beja lhe deve muito, muitíssimo mesmo, e se os nossos egoísmos não fossem parte do pior da nossa essência, já teria recebido e tributo que merece!
Porque a Ovibeja é a prova provada que quando sonhamos podemos atingir o que parecia inatingível; porque a Ovibeja é a demonstração de que a iniciativa privada, o trabalho em equipa, a tenacidade, a existência de um projecto claro e definido pode carrilar resultados preciosos; porque a Ovibeja, sendo uma filha da ACOS, é testemunha da importância da sociedade civil, um marco assinalável de que Beja tem efectivamente razões para sentirmos Orgulho. Orgulho verdadeiro, não daquele que nos tentaram impingir!
Aplaudir a Ovibeja, reconhecer nesta feira como o momento mais importante da cidade e da região é também ser exigente com o certame! Ser exigente, não no habitual sentido “picuinhas” de denegrir o cartaz ou gritar como pêgas virgens pelo preço dos bilhetes, ou insistir que praticamente está tudo mal, fechado os olhos de forma a ignorar que continua a ser um sucesso na bilheteira e na participação empresarial: ser exigente com a verdadeira Feira do Alentejo é defender que a influência da Ovibeja se mantenha para lá da duração do certame, que o seu espírito invada a cidade e os bejenses e seja uma alavanca para o desenvolvimento! Defender a Ovibeja é pugnar para que se utilize o know-how de quem provou saber fazer, para organizar outros eventos, bem como auxiliar a ACOS a tornar reais alguns sonhos, como é flagrante o exemplo do Museu e cluster do Azeite.

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