Quem mexeu no meu queijo?

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hugo Lança Silva

professor do ensino superior

Um dos livros que gosto de ter na mesa-de-cabeceira, chama-se <b><i>Quem mexeu no meu queijo?, </i></b>escrito por Spencer Johnson, um psicólogo americano.
É um livro que gosto de recomendar. Aliás, se tivesse responsabilidades de chefia, se fosse chamado a liderar um organismo, seja público ou privado, presumo que fosse a minha prenda de Natal para todos os funcionários!
Para quem conhece esta obra-prima, um livrinho com poucas dezenas de páginas, estamos perante uma alegoria que retrata a postura de cada um perante a vida, a procura dos nossos objectivos e sonhos, uma história que fala sobre as dificuldades e a mudança, que procura retratar a forma como nos relacionamos com as adversidades da vida!
O livro é uma parábola sobre a vida, na qual dois ratinhos, Sniff e Scurry, e dois “homenzinhos”, Hem e Haw, procuram desesperadamente um queijo, sem terem a menor ideia do que pretendem fazer com o dito queijo. Mas o queijo, como quase tudo na vida é efémero e quando consumido tende a desaparecer! O que cada personagem está ou não disposta a fazer para conseguir mais queijo, a forma como cada pessoa lida com as adversidades, é o grande epílogo do livro. Porque esta crónica também é um convite à leitura, dispenso-me de oferecer a minha interpretação do mesmo, porque o mais encantador na leitura é a deliciosa possibilidade de cada um de nós decidir o desenlace dos nossos livros!
O que mais me comove neste livro é a forma serena como procura aguardar o mais complexo drama humano: a mudança! Porque os seres humanos, e os latinos mais do que quaisquer outros, temem e assustam-se com a mudança, num sedentarismo emocional e profissional, que não encontra justificações na racionalidade! Porque quando tudo muda na vida é um erro ficar no mesmo sítio! Porque arriscar e ousar mudar, mais do que um acto de inteligência, pode ser uma necessidade de sobrevivência!
Mas mudar de rumo, pressupõe uma condição prévia: a capacidade para estabelecer um rumo, um caminho, saber o que se quer e o que não se quer, construir as bases que permitam iniciar um percurso, decidir onde se deseja ir, antes de começar a caminhar!
E é esse o papel das lideranças! Quando me questionam sobre qual o perfil que um líder deve ter, respondo invariavelmente a mesma coisa: conseguir traçar um caminho e motivar os outros a percorrerem com ele o mesmo percurso! Com a certeza certa que nenhum percurso na vida de faz sem montanhas e vales, sem dificuldades que urge ultrapassar, sem contratempos, sem os “velhos do Restelo” que com saudades da miséria falam dos grandiosos dias do passado que nunca aconteceram.
Aos líderes devemos exigir coragem! Obviamente que importa ter a capacidade de construir pontes e diálogos, a capacidade de lidar e respeitar a diferença, a simplicidade para aceitar que os outros também têm razão, a humildade de reconhecer que se erra e aceitar os contributos de outros! Mas depois de tomada uma decisão, de definir objectivos, aos líderes, aos bons líderes, exige-se a coragem para seguir nesse trilho, a sapiência para contornar obstáculos e a sobriedade para entender, sem temores nem receios, que é impossível agradar a todos, que muitas vezes o interesse colectivo não se consegue alcançar sem sacrifícios individuais!
A História não se fez nem nunca se fará de líderes fracos! De pessoas que almejam a liderança pelo simples prazer de liderar, sem destino ou objectivo, apenas sedentas das regalias dos cargos! Quem fica na História – ainda que nem sempre atempadamente reconhecidos – são os líderes que têm força e determinação, que ousam enfrentar os interesses parasitas, que conseguem colocar o interesse geral acima da comodidade de alegremente jantarem com Deus e o Diabo!
As instituições, a cidade e o país não vivem dias felizes! E só os loucos e os hipócritas acreditam que se seguem tempos de facilidades. Mais do que nunca, dependemos da coragem de quem tem convicções e tem a ousadia de lutar por aquilo que acredita, muitas na sua solidão da incompreensão! Porque o queijo só é eterno enquanto dura! E é leviandade confiar aos ratos a partilha do queijo…

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