A face oculta da imprensa e do desporto

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Monteverde

O país está farto dos julgamentos da imprensa. Manuela Moura Guedes, uma mulher medíocre e desiquilibrada, criou um jornal televisivo para debitar os seus ódios pessoais, misturados com sensasionalismo barato, que vende neste país que compra as “Marias”, os “Diabos” e os jornais desportivos. A Manelinha é casada com um senhor que ganhou nome nas televisões ao produzir e vender o “lixo televisivo” que faz share neste país de Abril, onde o Isaltino ainda ganha eleições, mas a Fátima Felgueiras já perdeu e foi remetida para o aninominato eterno e inglório.
A imprensa portuguesa é hoje o verdadeiro tribunal da opinião pública, que promove medíocres e destrói pessoas na mais absoluta impunidade, abrigada na chamada “liberdade de opinião”, que esconde a mais indecorosa irresponsabilidade. Mas esta imprensa é um tribunal incompleto, porque de facto só procura sangue indefeso, que depois de derramado deixa escorrer sem mais se importar. Foi assim com o caso dos submarinos, com o caso Portucale, com o desaparecimemto da jovem Maddie, com um jovem que morreu electrocutado numa passagem de semáforos em Lisboa, com o processo Casa Pia, com o caso BPN, etc.,etc.,etc.
Onde está um único condenado dos crimes cometidos? Talvez o sr. Vale Azevedo, que entretanto foi até Londres. De resto o sr. Pinto da Costa e o sr. Filipe Vieira assobiam para o ar, presidem a clubes que devem milhões de euros ao Fisco, mas gastam milhões a comprar jogadores da bola, constroem grandes equipas, dão goleadas aos clubes mais pequenos e quando são “campeões” organizam voltinhas automóveis em todas as cidades do país, com bandeiras desfraldadas e felicidade nos rostos de tantos portugueses humildes. E como compram tantos jogadores estrangeiros em detrimento dos jovens jogadores portugueses, a Selecção Nacional também já vai tendo alguns desses brasileiros aportuguesados, adulterando o espírito da Selecção que deveria ser de todos nós. E o escândalo vai ao ponto de Carlos Queiróz continuar a convocar o seu “Pepe”, que no campeonato espanhol pontapeou no chão, de forma selvática, um adversário. Na Espanha, levou 10 jogos de castigo. Aqui, o nosso “compatriota” foi logo chamado aos trabalhos da Selecção. O que é preciso é ganhar. Como dizem os benfiquistas, depois dumas eleições manhosas fabricadas pelo sr. Luís Filipe Vieira, duma desobediência ao tribunal pelo pouco recomendável sr. Vilarinho, e dos muitos milhões gastos em mercenários estrangeiros da bola, o Benfica está a “jogar bem”. Enche estádios, tem o “melhor treinador do mundo”, o melhor “ataque do mundo” e às tantas ganha o campeonato. Aliás, há três jornais diários desportivos que é preciso vender e salvam-se uns postos de trabalho. E quanto aos títulos, a qualidade dos jornais diários e desportivos atinge o mesmo patamar.
Percebe-se por isso que estando o “Freeport” a dar as últimas, a preocupação da nossa imprensa não se vire para a recuperação económica do país ou para a manutenção da dignidade educativa nas nossas escolas, entre outras prioridades. Tinha de aparecer uma qualquer face oculta dos mesmos destapados de sempre. No Freeport, José Sócrates viu o apartamento da mãe ser notícia de jornal, o primo que foi para a China e o tio que lhe telefonava.
Entretanto, e como primeiro-ministro, governou o país e combateu a crise, como certamente ninguém da oposição o teria feito. Salvaguardando inúmeras medidas de protecção social, que diferenciam o PS do PSD e CDS. E quando os sinais de retoma económica e recuperação financeira começam a aparecer, a imprensa e a oposição antecipam-se à justiça, vêm para os jornais e está o “baile armado” para nova crise institucional, que deveria estar e permanecer no segredo dos tribunais. A oposição demonstra claramente quais são as suas prioridades. O barulho e a xicana política são mais importantes que a criação de riqueza e a luta contra o desemprego. O “farisaico” Mário Nogueira mantém a justa luta pelo descrédito das escolas e dos professores que lhe dão crédito. O PCP e o BE atravessam a fase difícil de terem de apresentar propostas credíveis para utrapassar a crise. E como se já não fosse tudo mau de mais, ainda temos de ouvir as “análises políticas” da Inês Serra Lopes e do Luís Delgado, portadores crónicos de neurónios afectados pela mediocridade generalizada da nossa imprensa. Muito mais fácil que resolver a crise, será arranjar alternativas a estas “alforrecas televisivas”.
E atravessando a crise, vão-se aguentando os nossos gestores das empresas públicas. Mantendo regalias e mordomias obscenas, afrontosas do nível de vida da maioria da população portuguesa. Defensores dos lucros fabulosos das empresas que gerem, em detrimento dos interesses dos portugueses, como é exemplo a gestão da GALP e a política de preços da gasolina em função dos preços do petróleo. Ou aquele gestor das estradas que parece ter perdoado “milhões de Euros” às grandes construtoras no caminho que vai das propostas iniciais ao estabelecimento dos contratos. Fora os “milhões a mais”, que qualquer grande empreitada a cargo das grandes empresas sempre custa aos contribuintes. Tenho a certeza que os portugueses deram a maioria ao PS para que o futuro não se construa com os responsáveis destas irregularidades crónicas.
Já aqui escrevi que o PS devia recuperar as propostas anti-corrupção do eng. João Cravinho. Perante tudo o que se está a passar, a população portuguesa vai exigir da classe política uma cada vez maior transparência. E essa transparência tem de se fundamentar em legislação clara e em pessoas que não podem ser necessariamente as mesmas que têm pactuado e agravado as desigualdades sociais. O PS que se inspira no seu programa em Antero de Quental e António Sérgio, que já teve líderes como Henrique de Barros e Vasco da Gama Fernandes e primeiros-ministros como Mário Soares e António Guterres, tem de honrar este seu legado histórico e estar na linha da frente no combate à corrupção e na luta pela moralização da vida pública. Esta opção será decisiva na motivação dos portugueses quanto a uma maior participação cívica, por exemplo, nos actos eleitorais e na progressiva diminuição das desigualdades económicas e sociais.

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