Quatro linhas regionais de Odemira!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hélder Guerreiro

António José Seguro esteve em Odemira no passado dia 29 de Janeiro e refiro esta visita porque a reunião distrital que ocorreu demonstrou que o actual líder do maior partido da oposição em Portugal está a construir uma proposta de política para o país e está a fazê-lo ouvindo, reflectindo e, apesar de todas as pressões para fazer depressa, está a construir esse caminho com a necessária tranquilidade e com o envolvimento de todos. É mais demorado e por vezes exasperante mas é o caminho certo, do meu ponto de vista é claro! Numa perspectiva egoísta, foi muito bom trocar argumentos e ideias com o líder do meu partido.
As duas últimas semanas foram férteis na discussão sobre a sustentabilidade da comunicação social regional, essencialmente da imprensa escrita. Não deixa de ser curioso que esse “debate” tenha origem nas notas dos próprios responsáveis dos respectivos jornais, vejamos: o bispo de Beja anuncia o evidente fim do “Noticias de Beja”, o António José Brito, no seu editorial, refere as dificuldades do “Correio Alentejo” e o Paulo Barriga refere as dificuldades referidas pelos outros em artigo no “Diário do Alentejo”, jornal que por sua vez parece viver um permanente estado de “acabar”.
É verdade que a região tem fracos recursos empresariais mas não são assim tão fracos que não consigam tornar sustentável uma comunicação social regional que interesse, de facto, à região. Com isto não quero dizer que a actual comunicação social regional não interessa à região. Do meu ponto de vista, interessa e muito! É verdade que muitas vezes a imprensa regional, pela rarefacção de fontes de financiamento, pode ver-se capturada por interesses individuais que se constituem como fontes dominantes de receita e não é necessário muito para que isso aconteça, infelizmente!
Então o que é que falta!?! Eu direi que falta apropriação, também falta algum hábito e alguma cultura de ler jornais, mas, mesmo em todos esses falta um sentimento de que essa, a que existe, é a sua forma de comunicar com os outros seus iguais, seus conterrâneos regionais. Talvez porque nenhuma da imprensa escrita e ouvida chega da mesma forma a toda a região ou talvez porque a falta de coerência dos gestores do território nos tenham colocado num caminho de enorme confusão sobre uma identidade regional que seja capaz de gerar uma comunicação regional. Se, ainda bem que assim foi, os editores e directores da nossa comunicação social escrita deram o tiro de alarme, fica aqui o desafio para que contribuam para uma reflexão regional sobre a comunicação social que temos e queremos. Que se organize um congresso sobre o tema. Odemira está disponível para ser o anfitrião e organizador do evento, assim se entenda como pertinente.
Ao falar em Odemira lembrei-me da persistência, da organização de ideias, da visão de futuro e na conjugação de esforços para a concretização de soluções. Odemira só tinha o comboio regional que perdeu, ficou sem nenhuma solução de transporte ferroviário, mas hoje tem inter-cidades e desde o dia 1 de Fevereiro tem Alfa Pendular. Está de parabéns o meu presidente pela postura e pela capacidade que tem de acrescentar qualidade de vida para a nossa população.
Ao falar em Odemira lembro-me de um sonho que começou há mais de uma década, e eu fui um dos actores da primeira reunião e do primeiro estudo de viabilidade. No dia 26 de Janeiro, esse sonho, conheceu uma nova fase, o Matadouro do Litoral Alentejano iniciou a fase de testes. Afinal o sonho é real!
Pelo conteúdo, esta pretende ser uma crónica de esperança porque existe um país real que precisa de quem tenha uma ideia e ainda assim queira ouvir os outros com tempo, existe quem alerte para problemas que precisam do envolvimento de todos e existe quem resolva e construa coisas para todos com persistência e com descrição, porque acredita que os sonhos se podem tornar realidade.

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