O “braço de ferro” que Beja não merece

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Mário Simões

A cidade comenta e não entende, as razões que suportam os argumentos das duas maiores forças políticas no município bejense sobre as “virtudes” ou as “desgraças” que estruturam o orçamento da Câmara de Beja para o ano 2012.
Como se sabe, o documento foi chumbado na última reunião da Assembleia Municipal de Beja. Jorge Pulido Valente, inconformado com a decisão legítima e democrática de uma maioria formada com os votos da CDU e do BE, e a abstenção do PSD, mal a reunião terminou queixou-se aos jornalistas das consequências do chumbo na vida da autarquia. E vai daí tenta fundamentar junto do Ministério Público, a existência de hipotéticas ilegalidades na decisão que este não confirmou, provavelmente no meio de uma comezinha interrogação: é a Justiça que tem de resolver os diferendos que os políticos se revelam incapazes de superar?
Com pertinência e neste caso com lucidez, o deputado municipal socialista Paulo Arsénio, foi mais preciso e concreto: “em democracia há sempre soluções”. Parece que o presidente da Câmara de Beja não pensa assim.
Do outro lado da barricada, a CDU, entendeu ver chegada a oportunidade de colocar na engrenagem meticulosamente estruturada da proposta de orçamento socialista um “minúsculo grãozinho”, a demonstrar que o seu conteúdo justificava no mínimo a abstenção da bancada comunista, talvez para desta forma evitar que a população não fosse confrontada com um deplorável número de luta política que não dignifica os que a iniciaram e sustentam. Mas na hora da verdade, o “grãozinho” cresceu e a abstenção evoluiu para o chumbo do orçamento.
Beja não merece, que os dois partidos mais consequentes nas críticas ao actual Governo por causa de Alqueva e do Aeroporto de Beja, contra quem esgrimiram argumentos esquecendo-se dos seus telhados de vidro, não consigam alcançar o mais elementar compromisso na aprovação do orçamento municipal. No lugar da substância, preferem expor-se perante os cidadãos agarrados a minudências, como se a vida dos munícipes dependesse dos “tostões” do orçamento que dividem o PS e a CDU.
Como cidadão e residente em Beja, esta é uma questão que não me passa ao lado. Sinto que é tempo de fazer diferente. É tempo de colocar termo à alternância entre socialistas e comunistas. Ao fim de 38 anos de Poder Local democrático, a realidade está patente aos nossos olhos. Não faz qualquer sentido ser indiferente, como se não fosse nada connosco. Esta é uma matéria que diz respeito a todos os cidadãos do concelho de Beja, independentemente do seu posicionamento partidário.
Beja merece que a mudança se faça na prática política. É tempo de fazer ondas, de agitar a malta, em nome dos reais e concretos interesses da população.
Para o PS e para a CDU, começou a campanha eleitoral. Mas este é o tempo para trabalhar, para governar a pensar nas pessoas. Sejam responsáveis e entendam-se!

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