Os comunistas, a democracia e o desenvolvimento

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Paulo Pisco

Membro da Assembleia Municipal de Serpa

O Estado de Kerala, na Índia, onde está a conhecida cidade de Calcutá, talvez seja o único sítio do planeta onde os comunistas tiveram um relativo sucesso de governação. À parte isso, o domínio comunista após a Revolução Russa foi um desastre, uma catástrofe para a democracia e um drama para a liberdade e a vida de milhões de pessoas.
É claro que aqueles que hoje se reclamam do comunismo não podem ter o mesmo tipo de estrutura mental, por serem minoritários e também porque os valores da democracia e do progresso das sociedades liberais lhes roubam margem de manobra para imporem unilateralmente as suas ideias. Mas o tique autoritário está lá. Da mesma forma que está lá também aquela presunção de que só aquilo que defendem é que está certo. Têm uma tendência irritante para se considerarem donos da verdade e para verem o mundo a preto e branco: nós somos os bons e estamos certos; os outros são os maus e estão errados.
O PCP e os seus militantes procuram ganhar a todo o custo influência na sociedade, o que é legítimo. Para isso não poupam esforços para tentar dominar todo o tipo de instituições, associações e organismos, o que já entra do domínio da perversão, porque depois querem sempre arrastá-los para as suas lutas, usando-os como instrumento para os seus fins político-partidários, desvirtuando os objectivos originais de natureza administrativa, cívica, cultural ou desportiva que possam ter. E não hesitam, se for necessário, em deturpar e manipular informação para atingirem os seus objectivos e em repetir até à exaustão as mesmas mentiras para que possam passar por verdades. Se no Alentejo é anunciada uma nova unidade de saúde ou qualquer outra coisa importante para as populações, logo surge o Partido Comunista com um caso qualquer para servir de cortina de fumo, acusando o Governo de, com a sua infinita maldade, só querer prejudicar as populações com as suas políticas.
A História, a nossa e a de outras partes, está cheia de exemplos de verdadeiros “assaltos ao poder” por parte dos comunistas a associações e organismos que acabam por ficar monocolores e reféns das suas direcções. O problema, por isso, é depois quando chegam ao poder… A qualquer forma de poder.
Os comunistas portugueses são herdeiros do pensamento e das práticas do comunismo que foi desenvolvido na extinta União Soviética, que se alastrou aos países de Leste e a outros continentes e criou situações dramáticas do ponto de vista do desenvolvimento económico e das liberdades. Por isso, falta aos comunistas autoridade moral e honestidade intelectual quando fazem algum tipo de críticas ao sistema político e de governação, bem como às medidas que em todos os domínios são tomadas pelo(s) Governo(s) na tentativa de melhorar a vida das pessoas e conseguir uma sociedade mais justa e equilibrada.
O Partido Comunista alimenta-se das crises e dos problemas. Sem isto não sobreviveria. Quanto pior for a situação, mais justificada têm a sua existência. E quando existem alguns problemas, nunca resistem a amplificá-los para que eles pareçam muitos grandes aos olhos dos outros e em culpar sempre o Governo, mesmo que ele não tenha culpa nenhuma. Além disso, estão sempre a inventar novos problemas sob a capa da defesa dos interesses das pessoas. Só que, ao fazerem isto, muitas vezes não hesitam em pôr em causa tudo o que está a ser feito de boa fé e com empenho, ao ponto de, por vezes, esticarem tanto a corda que os problemas que eram mínimos se tornam mesmo sérios, como esteve quase a acontecer em tempos na AutoEuropa de Palmela, quando a empresa passou por momentos que necessitavam de reajustamento e os comunistas insistiam em posições que provavelmente levariam ao encerramento da fábrica. Depois, claro, a culpa dos problemas daí resultantes seria sempre dos outros, isto é, do Governo, principalmente se for do PS, tido como o seu principal inimigo e alvo a abater.
Faz parte da cartilha do PCP dizer de forma tremenda que o PS só quer é prejudicar os trabalhadores e alimentar o grande capital, como se o propósito do Governo, deste ou de qualquer outro, fosse prejudicar as pessoas e não fazer o melhor por elas. E também faz parte da cartilha comunista dizer que o Governo nunca faz nada de bom para as pessoas e que tudo o que faz é errado.
Mas a verdade é que o país vai mudando, a estabilidade existe, as contas públicas estão em ordem e a economia, apesar das dificuldades provocadas pela crise financeira internacional, lá vai evoluindo favoravelmente, agora até já em convergência com a União Europeia e com o Eurostat a confirmar a descida do desemprego em Portugal.
É pena o Partido Comunista ter uma forma tão retorcida de ver o progresso, o desenvolvimento e a democracia, que utiliza todos os meios para atingir os seus fins, inclusivamente a expulsão dos seus melhores quadros que passaram a ter opiniões diferentes das da linha oficial, muitos dos quais deram ao Partido Comunista uma vida inteira de dedicação e até com o risco da própria vida, como aconteceu com aqueles que lutaram contra a ditadura em Portugal.
Mas também é por isso que o Partido Comunista não cresce e, aos poucos, vai definhando, fechado no seu conservadorismo, no seu anti-europeísmo serôdio e incongruente, e nos seus métodos com reminiscências dos tempos em que o Comunismo era um império global.

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