O valor de cada coisa

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Jorge Serafim

contador de histórias

Hoje em dia é frequentemente comum ouvir a quem governa na área do ordenamento do território – Estado e autarcas – inúmeros e infinitos discursos direccionados para a aplicação concreta de estratégias de combate à desertificação do interior. Planos que entre tantos outros também passam por potencializar algumas cidades do interior a cidades de média dimensão. Conceito muito europeu, de aplicação muito portuguesa, diga-se de passagem. O quer que seja que isto signifique ou o que tem significado. Diz-me o senso comum, que assim como quem não quer a coisa, as cidades têm que se reorganizar, reformular, reordenar para que se projectem além-fronteiras, tornando-se atractivas, competitivas e sinónimos de referência de um país que cada vez mais ambiciona afirmar-se amadurecido no espaço comunitário. Veio-me mais uma vez à cabeça esta velha ideia, a propósito de uma recente visita efectuada ao não menos recente espaço museológico da cidade de Beja, o Museu dos Prazeres. Consagrado à Arte Sacra, nasce fruto de um profundo, persistente e demorado trabalho de pesquisa, restauro e classificação efectuado pela equipa – dirigida por José António Falcão – do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja. Contemporâneo, arrojado, dinâmico e alicerçado numa estratégia de <i>marketing </i>pouco vista por estas bandas, tornou-se assim que nasceu naquilo que é: uma referência da cidade de Beja que a projecta não só para um círculo de entusiastas de Arte Sacra, mas também acrescenta redobrado orgulho aos seus cidadãos e respectivos visitantes, reencontrando-os e conciliando-os naquilo que mais os caracteriza e os torna peculiares, a sua identidade. Merecendo particular atenção o tratamento coerente da<b>imagem </b>associada (palavra que sofre de desuso por estes arrabaldes), característica que é comum ao outro espaço museológico instalado no Seminário Diocesano, eis um espelho para olhar com olhos de <i>ler </i>do que mais precisamos sentir, projectos concretizados, felizmente nada provincianos, envoltos em três indispensáveis palavrões: visão, crer e ambição. Se há dúvidas, consultai o catálogo “<b>A a Z – Arte Sacra da Diocese de Beja</b>”, letra C, página 53 -“<i>Virtus</i>, Albino, é atribuir o verdadeiro preço às coisas no meio das quais nos encontramos, com que vivemos, <i>virtus </i>é para um homem saber o valor de cada coisa.” Lucílio, Definições da Virtude. Quanto a José António Falcão… não tem nada que saber, agarrem-no! Faz cá falta.

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