O povo, a feira e a política…

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hélder Guerreiro

Por estes dias ocorrem os mais diversos eventos no Baixo Alentejo e, para não omitir nenhum não nomeio nenhum, as pessoas (o povo) vão preenchendo os seus dias percorrendo cada um deles com o sentimento, julgo eu, de busca permanente pela novidade.
Tal como os outros (o povo) também eu (povo) faço o mesmo percurso e procuro a mesma coisa. A novidade… ou preencher-me de algo novo! Mas afinal o que é novo?!
Sempre gostei de feiras e festas e atribuo-lhes o maior valor porque, quando muitos falam em despesismos e que são todas iguais, eu satisfaço-me com o encontro com os outros (alguns que não vejo há algum tempo), vivo intensamente o reencontro com o nosso património, seja imaterial (cante) ou material (raças locais, gastronomia e artesanato).
Tenho prazer no esperado (no que sei que vou encontrar) e só fico triste se não encontro alguém, mais uma vez, que já não vejo há anos. Fico triste se não tiver que ler os renovados folhetos do mesmo presunto ou enchido de ano transacto. Ouvir o despique e o baldão faz parte da necessidade de ir à festa!
O que seria da feira ou da festa que promove os colóquios e reflexões sem o queixume recorrente de anos sucessivos de maldades e desvarios governativos!
Uma feira ou uma festa são como comunidades auto-suficientes que vivem temporariamente num mesmo espaço e que vivem intensamente tudo, como se cada dia fosse o último dia. Normalmente é!
Por isso, meus caros, as feiras e as festas populares são oportunidades de nos renovarmos todos os anos no encontro com o esperado intenso e intermitente (só acontece o mesmo uma vez por ano)! E por tudo isto têm um valor estruturante nas comunidades. Marcam o calendário!
Tudo isto não é porque não tivesse mais sobre o que escrever. É mesmo porque queria prestar um tributo ao que muitos fazem para proporcionar o encontro e a alegria a muitos mais. Aos que abdicam de estar com as famílias, aos que arriscam muito, às associações e às autarquias que insistem na organização de feiras e festas o meu profundo agradecimento por me fazerem mais feliz.
Tudo isto também para dizer que não escreverei mais artigos de opinião no “Correio Alentejo” até que esteja terminado o processo eleitoral interno para presidente da Federação do Partido Socialista do Baixo Alentejo, no qual estou envolvido por ser um dos candidatos, como muitos sabem. Essa é razão ética que me leva a interromper esta “coluna”.
Em jeito de despedida, não quero deixar de prestar um tributo aos homens e mulheres políticos que percorrem as feiras e as festas do nosso Baixo Alentejo e que com essa simples acção (estar presentes) valorizam o trabalho de muitos. A estes homens e mulheres que também abdicam de muitos momentos com as suas famílias pela causa pública. Sim, porque a maioria dos políticos que eu tenho a honra de conhecer são pessoas íntegras e que todos os dias fazem pelo melhor dos seus territórios e das suas gentes.
Permitam-me que refira o Luís Ameixa que, por força destas eleições internas, deixará de ser presidente da Federação do Baixo Alentejo. Manifestar o meu apreço ao homem que marcou um partido e uma região. Ao homem que disse presente sempre que o partido precisou, desejo os maiores sucessos que sei que vai ter na sua carreira política que agora recomeça.
Terá defeitos, certamente, mas é um quadro político de grande valor ao qual o PS muito deve e ao qual o PS soube e saberá retribuir. É assim um grande partido e é assim que eu vejo a política! Postura e acção democrática. Persistência, liberdade, inclusão e inteligência política.

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