Museu de Beja

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Mário Simões

Lutar pelo Museu Regional de Beja, para que amanhã não sintamos vergonha da nossa resignação!
A mensagem continua a passar de boca em boca. Quem a escuta, reage com incredulidade e depois com um indisfarçável sentimento de revolta. Dificilmente se acredita como é que um dos mais emblemáticos monumentos da região e do país, o Museu Regional de Beja, pode vir a encerrar.
O ar de espanto que vou observando no rosto daqueles que são confrontados com um cenário que já se está a tornar dramático para os seus 12 funcionários, que deixaram de ter garantias de, ao fim do mês, terem o seu ordenado garantido, é de quem tem dificuldade em compreender o papel desempenhado pelo presidente da Câmara Municipal de Beja.
Jorge Pulido Valente e as suas posições contraditórias, desde Mértola até aos dias de hoje, estão a tirar do sério um crescente número de bejenses, que não entendem com é possível reduzir para valores que são ofensivos a contribuição do Município de Beja a um equipamento que preserva um valor patrimonial e cultural incalculável.
Na visita que efectuei na passada semana ao Museu Regional de Beja, acompanhado do director do Departamento Histórico e Artístico da Diocese de Beja, José Falcão, e do pintor António Inverno, da Academia das Belas-Artes, fui confrontado com a dimensão e a gravidade do problema que está a condicionar o futuro do monumento e a vida dos que lá trabalham.
Desde situações anómalas que se observam na secular estrutura, colocada que está em causa a segurança do edifício devido a fissuras e a infiltrações de humidade, à observação do fabuloso acervo composto do mais variado tipo de obras de arte e importantes testemunhos que vão desde a pré-história à época contemporânea, impõem que se faça o que tem de ser feito para inverter o ocaso do Museu Regional. Ali está o que diversos povos e comunidades fizeram ao longo de muitos séculos de história.
É, grosso modo, o bilhete de identidade da comunidade baixo-alentejana que o Museu Regional guarda em cada recanto, parede, janela ou sala, como a do capítulo, que só pode orgulhar os filhos desta terra.
Pois bem, tudo isto está posto em causa porque Jorge Pulido Valente entende que não deve diferenciar o que tem de ser diferenciado.
As dificuldades financeiras da autarquia que gere não podem justificar decisões absurdas como a que está expressa na redução brutal da contribuição do Município de Beja.
Outros municípios que também têm dificuldades nos seus orçamentos não viram as costas ao Museu Regional, até antecipam pagamentos. O de Beja, para além de não pagar o que já deve de 2012, tem por liquidar todo o ano de 2011 e apresenta uma proposta para proceder ao pagamento da dívida em quatro anos. Jorge Pulido Valente corre o risco de ficar na história da cidade pelas piores razões.
Será que já não há capacidade para nos indignarmos? O Museu Regional não é uma coisa qualquer. O Museu Regional é, a par do castelo de Beja, da Igreja dos Prazeres e da Igreja da Misericórdia, uma das referências maiores da cidade e da região.
Daí que estranhe o silêncio de quem reclama e luta porque Beja Merece. Será que merece apenas o Intercidades? Será que a força do protesto se esgotou. Ou não seria, hoje, mais importante debater o que se está a passar com o Museu Regional de Beja?
A dimensão do problema não se ultrapassa com um encolher de ombros. Como cidadão, em primeiro lugar, como deputado e dirigente partidário, eu farei o que me compete. Espero que outros façam a parte que lhes cabe. O Museu Regional não é uma coisa qualquer. Por ele temos de lutar. Fica aqui o desafio!

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