As recentes descobertas arqueológicas em Mértola vêm aumentar, duma forma exponencial, os dados já existentes que, de uma vez por todas, vêm pôr a claro a importância histórica do último porto do Guadiana. Para além da pequena península onde assenta a “vila velha”, e que de certa forma reproduz uma operação sistemática de mais de 3000 anos, as escavações que se vêm realizando entre o cine teatro e o posto da GNR, oferecem um número impressionante de estruturas que indiciam estarmos perante um fenómeno urbano único no Portugal da antiguidade tardia e altomedieval. Definitivamente, e para os eternamente cépticos, é urgente que Mértola, não apenas o “projecto de Mértola”, mas o espaço urbano da vila, seja olhado de maneira distinta. Porque é importante do ponto de vista económico, porque é importante do ponto de vista turístico, porque é importante do ponto de vista histórico, porque é importante do ponto de pedagógico e formativo. O trabalho desenvolvido sob a batuta do doutor Cláudio Torres desde 1978 na “vila museu”, não pode continuar a ser um projecto quase que unicamente sustentado pelo esforço e os malabarismos da equipa do Campo Arqueológico e o apoio da Câmara da Municipal de Mértola. De uma vez por todas Mértola tem que ser entendido como um Projecto de Interesse Nacional. Um projecto museológico e formativo que vá muito para além dos ritmos e dos investimentos que têm regrado e mutilado o funcionamento deste projecto ímpar com 30 anos. Investimentos em espaços museológicos, em investigação e em divulgação, em lógicas de formação tanto para cursos técnico-profissionais como para cursos universitários. Apoios efectivos a projectos paralelos de infra-estruturas turísticas na área do alojamento, da restauração e da animação. De uma vez por todas, há que entender a intervenção em Mértola como um projecto nacional. E, faltando uma lógica regional forte em termos turísticos, comecemos por aqui. A potenciar aquilo que cada sítio ou cada concelho tem para oferecer. O ganho é para todos. Na perspectiva de trazer mais gente em idade produtiva, contrariando o definhar populacional a que assistimos, levando os números da população aos níveis existentes no século XVIII. No ano em que faz 30 anos o projecto de Mértola, melhor prenda não poderia chegar a esta terra lindíssima do que a descoberta das estruturas arqueológicas naquele troço entre o cine teatro e a rotunda. Há que ter a coragem de decidir e exigir.

Homem detido no concelho de Mértola após tentar atropelar GNR
Um homem de 49 anos tentou atropelar um militar da GNR na localidade de Alcaria Ruiva, no concelho de Mértola, na quarta-feira, 21, acabando por







