Lisboa e os “arrabaldes”

Quinta-feira, 28 Setembro, 2017

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Num recente programa de rádio numa rádio nacional avaliava-se a primeira semana de campanha eleitoral autárquica no país, nomeadamente no que toca à presença dos diversos líderes/responsáveis partidários no terreno. E entre muitas considerações, houve entre os presentes (todos jornalistas) quem considerasse que esta estava a ser uma campanha onde se falava de muitas questões nacionais e onde havia poucos assuntos locais tratados. Mas nunca em momento algum se questionou as razões que levavam a que assim fosse…
Ora a resposta é mais que óbvia: a grande responsabilidade deste “apagão” na imprensa nacional (salvo raras excepções) dos temas locais tratados durante esta campanha eleitoral é dos próprios jornalistas. Não dos que trabalham por aqui todos os dias, mas daqueles que seguem atrás das caravanas nacionais. E quem conhece o terreno e o assunto, percebe bem do que falamos: Marcelo vai a Beja e as televisões só lhe perguntam pelo estado da “geringonça”; António Costa está em Almodôvar e as questões são todas sobre o rating da República; Passos e Assunção visitam Ourique e só se quer saber se haverá ou não coligação nas Legislativas de 2019. Perguntas sobre os problemas e potencialidades da região… zero!
É esta a relação de (alguma) Lisboa com os seus “arrabaldes”. E é este comportamento da imprensa nacional que muitas vezes acelera o afastamento entre o litoral e o interior, entre os grandes centros urbanos e os territórios do interior. Vale neste capítulo a imprensa local, que a muito custo tenta aproximar os cidadãos dos verdadeiros problemas que afectam as suas vilas e aldeias. Mesmo que alguns assim não o entendam… ou não queiram!

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