Inventário sobre o estado das coisas

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rui Sousa Santos

médico

O estado das coisas justificava que falasse da Ota, desse aeroporto que não aterra de vez na confusão dos estudos com que nos tentam lavar a cabeça por dentro.
O estado das coisas justificava que falasse do aeroporto de Beja e das obras que, finalmente, começaram.
O estado das coisas justificava que falasse das confusões pós-modernas de um pólo universitário da nossa cidade e das insinuações que por aí correm e que parecem sobrenadar dificilmente a linha de água da transparência.
O estado das coisas dava para falar do dr. Portas e do sr. Paulo (Stevenson que me perdoe), do dr. Castro, das confusões com que o dr. Lopes tem andado por aí, dos arrufos do dr. Meneses e dos desgostos da Zézinha.
O estado das coisas dava para falar do bom que deve ser alguém sentir-se quase em férias numa cidade estagnada.
O estado das coisas dava para fazer perguntas sobre o que é que poderia ser Beja-cidade no próximo decénio se houvesse esforços decididos e claros para o pensar. E quem o pensasse. E que isso interessasse.
O estado das coisas justificava que fizesse algumas perguntas sobre qual o desenho do plano director municipal quando houver IP8 a iniciar a variante à cidade em S. Brissos.
O estado das coisas dava para perguntar porque é que a nossa cidade parece um deserto ao fim-de-semana.
O estado das coisas dava para voltar a falar das manifestações sobre o encerramento das “urgências” e para fazer muitas perguntas sobre por que é que determinadas forças coincidem na venda de gato por lebre. Especialmente quando só vendem gato, por muito que gritem que é lebre.
O estado das coisas justificava que se voltasse a perguntar por que é que a teimosia intermunicipal ainda é um fenómeno multimunicipal.
O estado das coisas dava para perguntar quem é que ganha e o quê, com atrasos de anos que penalizam as populações.
O estado das coisas dava para perguntar por que é que em casas de ferreiros hipercríticos abundam os espetos de pau.
O estado das coisas dava para questionar por que é que a rotatividade democrática na cúpula de algumas estruturas pode ser um fenómeno apenas de momentânea conveniência.
O estado das coisas permitiria que se perguntasse por que é que há gente com responsabilidades públicas assumidas que parece que já está a correr em outras corridas que ainda não começaram para outros. E por que é que há quem faça o favor de tentar empurrar de qualquer maneira para abrir caminho.
O estado das coisas dava para perguntar por que é que a dra. Ferreira Leite foi tão má para com quem é mais pequenino do que ela.
O estado das coisas justificaria muitas interrogações sobre o futuro do comércio tradicional em Beja.
O estado das coisas dava para perguntar por que é que se persiste em demonstrar que, no trânsito na cidade, a união entre dois pontos próximos pode ser tudo menos uma recta.
O estado das coisas justificaria perguntas sobre o porquê de, sempre que há novidades políticas significativas, alguém se entreter a chafurdar em pretensos pecados socráticos.
O estado das coisas permitiria perguntar ao Presidente da República se a sombra do dr. Mário Soares é mesmo assim tão grande.
O estado das coisas não dá é para perceber que, com uma semana linda de início da Primavera, a chuva tenha chegado no fim-de-semana, tirando toda a vontade de fazer perguntas…

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